Um dia após a consagração de quatro bispos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) sem a autorização do Papa Leão XIV, o Vaticano anunciou um decreto que determina a excomunhão de todos os bispos envolvidos na cerimônia. O documento foi publicado em 2 de julho pelo Dicastério para a Doutrina da Fé.
O decreto menciona especificamente os bispos consagrantes, Dom Alfonso de Galarreta e Dom Bernard Fellay, além dos quatro bispos consagrados: Dom Pascal Schreiber, Dom Michael Goldade, Dom Michel Poinsinet de Sivry e Dom Marc Hanappier. Segundo o direito canônico, esses bispos incorreram em excomunhão latae sententiae devido à realização das consagrações, que só podem ser revogadas pelo papa.
Além da excomunhão dos bispos, o Vaticano fez um apelo ao clero católico e aos fiéis leigos, advertindo-os sobre os riscos de se unirem ao "cisma" promovido pela FSSPX, o que também resultaria em excomunhão automática. O decreto expressou tristeza pelo fato de que as discussões doutrinárias entre a Santa Sé e a FSSPX, que se arrastam desde o tempo de São Paulo VI, não levaram à plena comunhão da fraternidade com a Igreja.
Em 13 de maio, o Vaticano já havia classificado as consagrações como um ato cismático, resultando na excomunhão automática dos bispos tanto consagrantes quanto consagrados. O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, descreveu o ato da FSSPX como "cismático". O Papa Leão XIV também se dirigiu à fraternidade em uma carta, pedindo que não realizassem as consagrações e implorando por uma retratação.
Este incidente remete a 1988, quando o Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da FSSPX, consagrou bispos sem autorização papal, resultando em uma notificação de excomunhão automática dois dias depois. A FSSPX é conhecida por celebrar exclusivamente a Missa Tridentina em latim e por rejeitar algumas doutrinas e reformas do Concílio Vaticano II, especialmente no que tange à liberdade religiosa e à relação da Igreja com outras religiões.
A situação atual reafirma a tensão entre a Santa Sé e a FSSPX, que continua a operar fora da comunhão plena com a Igreja Católica, mantendo uma postura de resistência às orientações do Vaticano.




