Em um 22 de junho, há exatos quarenta anos, dois momentos emblemáticos no esporte se entrelaçaram. Ayrton SENNA conquistou a pole position com a Lotus-Renault no Grande Prêmio dos Estados Unidos, realizado em Detroit. Como fervoroso torcedor de futebol, especialmente do Corinthians, o piloto deixou de lado a coletiva de imprensa após o treino classificatório para assistir ao jogo entre Brasil e França, que ocorreu na Copa do Mundo de 1986, no México. Infelizmente, a Seleção Brasileira foi eliminada nos pênaltis pela equipe francesa, liderada por Michel Platini.
Os boxes da escuderia de SENNA estavam repletos de mecânicos e engenheiros franceses, que aproveitaram a oportunidade para fazer piadas sobre a derrota da Seleção. No entanto, o piloto teve a chance de reverter essa situação no dia seguinte. Após vencer a corrida, que foi a quarta de sua carreira, SENNA ergueu a bandeira do Brasil durante a volta da vitória, um gesto que se tornaria um símbolo marcante em sua trajetória e seria repetido diversas vezes ao longo de sua carreira.
A ligação entre Ayrton SENNA e o futebol se estendeu além de Detroit. Em 1993, a Seleção Brasileira enfrentou uma crise técnica e precisou do retorno de Romário em um jogo crucial contra o Uruguai para conseguir se classificar. Sentindo que o time carecia de inspiração após 24 anos sem conquistar um título mundial, SENNA foi convidado a dar o pontapé inicial em um amistoso contra o Paris Saint Germain/Bordeaux, em Paris, no dia 20 de abril daquele ano. Durante a partida, o piloto e os atletas estabeleceram um pacto simbólico, prometendo lutar pelo tetracampeonato nas pistas e no campo. "Acelera daqui que eu acelero de lá!", foi a frase de SENNA direcionada aos jogadores.
A paixão de SENNA pelo futebol e seu impacto no time se tornaram ainda mais evidentes em 1994, ano em que o Mundial foi realizado nos Estados Unidos. Após seu falecimento, os jogadores da Seleção Brasileira prestaram homenagem ao piloto durante a competição. Em relatos posteriores, integrantes do elenco, incluindo o ex-atacante Bebeto, expressaram a profunda tristeza que sentiram com a perda de SENNA. "Ficamos devastados. Dissemos entre nós: ‘Simplesmente temos que vencer esta Copa do Mundo e dedicá-la ao Ayrton’”, lembraram os jogadores.
A conquista do tetracampeonato em 1994 foi marcada por uma homenagem que se tornou icônica na história do futebol. Após as cobranças de pênaltis, os jogadores da Seleção abriram uma faixa de aproximadamente 2,5 metros, confeccionada com folhas de impressora matricial, com os dizeres: SENNA…ACELERAMOS JUNTOS, O TETRA É NOSSO! Essa faixa, que trouxe a assinatura de todos os jogadores e da comissão técnica, foi guardada durante 30 anos por Américo Faria, superintendente da CBF em 1994, e, posteriormente, foi entregue à família de Ayrton SENNA. Em 2024, ex-jogadores da Seleção visitarão a sede da SENNA Brands e do Instituto Ayrton SENNA para fazer a doação da faixa original.




