O espelho d’água localizado no Lincoln Memorial, um dos pontos turísticos mais emblemáticos de Washington, está no centro de uma controvérsia política e judicial. Esta situação emergiu após a execução de uma reforma que custou cerca de US$ 15 milhões durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. O local, reaberto em junho, apresentou problemas como a proliferação de algas e a liberação de um revestimento azul, poucos dias após a revitalização.
Após a reabertura, diversos visitantes notaram o desprendimento do material do fundo da piscina. O Departamento do Interior informou que cinco pessoas foram detidas por vandalismo, além de outras cinco que receberam notificações federais. Entre os detidos está David Hearn, ex-canoísta olímpico, que alegou ter apenas tocado o revestimento que já estava solto e negou qualquer ato de vandalismo.
Em resposta à situação, Trump afirmou que o espelho d’água havia sido alvo de vandalismo intencional. Em uma publicação na plataforma Truth Social, ele ressaltou que a destruição de bens federais pode acarretar penas de até 10 anos de prisão. Em coletiva no Salão Oval, o ex-presidente mencionou que o revestimento tinha um corte de aproximadamente 90 metros, número que posteriormente ele aumentou para mais de 100 metros, insinuando que o dano foi causado por alguém com uma faca ou estilete.
Trump descreveu o corte como sendo feito de maneira “muito violenta” e prometeu divulgar imagens do suposto dano em um momento oportuno. Quando questionado sobre a existência de evidências que sustentassem suas alegações, ele insinuou que a extensão do dano já seria uma prova suficiente.
Críticos do ex-presidente observaram uma contradição entre sua atual postura sobre proteção ao patrimônio público e a decisão de conceder indulto a mais de mil participantes dos atos de 6 de janeiro de 2021, entre eles, indivíduos condenados por vandalizar o Capitólio dos Estados Unidos. Essa comparação tem sido utilizada por opositores para questionar a firmeza de Trump em relação às punições para os responsáveis pelos danos no espelho d’água.
As autoridades já deram início a um novo processo de drenagem do espelho d’água para realizar reparos. A empresa responsável pela reforma se comprometeu a corrigir os problemas encontrados sob garantia. Enquanto isso, o Departamento de Justiça e a Procuradoria do Distrito de Columbia estão revisando os registros da polícia para determinar se haverá acusações formais contra os envolvidos.




