Dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) indicam um crescimento alarmante nas reclamações relacionadas à diálise em Mato Grosso do Sul. Entre 2014 e 2023, foram registradas 3.670 queixas, representando 58,8% do total de 6.241 incidentes notificados em diversas áreas da saúde, incluindo clínicas e farmácias. O aumento mais expressivo ocorreu entre 2024 e 2026, quando o número de registros saltou de 358 em 2023 para 1.686 em 2024, uma elevação de 370,9%, ou seja, 4,7 vezes mais que no ano anterior.
No ano atual, as notificações já superam os números de três anos atrás e somam 456 ocorrências. As clínicas de hemodiálise são responsáveis por quase 80% das reclamações. Recentemente, a clínica DaVita, localizada na Rua Treze de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande, começou a ser investigada pela Vigilância Sanitária Estadual devido a queixas de pacientes sobre as condições de atendimento e relatos de mal-estar após os procedimentos de filtragem do sangue.
Além disso, em junho do ano passado, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) iniciou uma investigação sigilosa contra outro estabelecimento de saúde. Os dados da Anvisa revelam que a maioria dos pacientes afetados tem entre 46 e 75 anos, e os danos são classificados como leves. Os principais problemas apontados incluem falhas na hemodiálise e eventos adversos que ocorrem após os procedimentos, como problemas com equipamentos, limpeza inadequada e uso impróprio da água.
Outras queixas mencionam quedas de pressão e alterações clínicas nos pacientes, além de falhas na colocação de cateteres e na qualidade do atendimento. A maior parte dos danos foi detectada por meio de alterações no estado de saúde dos pacientes ou por alertas nas máquinas de hemodiálise. Em mais de 2 mil casos, os erros foram identificados e notificados por profissionais de saúde responsáveis pelos atendimentos.
A reportagem buscou contato com a Secretaria de Estado de Saúde e está aguardando um retorno sobre as questões levantadas.




