Na próxima quarta-feira, 19 de agosto, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lembrará os 50 anos do atentado que atingiu sua sede no centro do Rio de Janeiro. A explosão, que ocorreu em 1976, teve como alvo o sétimo andar do edifício localizado na Rua Araújo Porto Alegre, número 71. O incidente destruiu dois banheiros e causou danos em salas vizinhas, no elevador e em outros andares do prédio, mas não deixou feridos.
Para marcar a data, a ABI lançou neste sábado uma edição especial do Boletim da ABI, que se fundamenta em documentos históricos e relatórios confidenciais. Além de relembrar o atentado e sua repercussão, a publicação ressalta a relevância da imprensa livre como um elemento de resistência durante períodos autoritários e um instrumento de vigilância contra a censura e a violência política.
A edição especial utiliza como uma das principais fontes a publicação do Boletim ABI de julho-agosto de 1976, que foi lançada logo após o atentado. A ABI também inclui detalhes de documentos dos órgãos de informação da ditadura militar, incluindo um informe confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI) de setembro de 1976, que foi disponibilizado pelo projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional. De acordo com a ABI, o documento do SNI revela o nível de vigilância que os órgãos de segurança mantinham sobre as atividades da entidade na época.
A publicação, editada por Geraldo Cantarino, apresenta fotografias do estado em que ficaram as áreas atingidas do prédio, que foi inaugurado em 1938 e é considerado uma referência da arquitetura moderna brasileira. Até hoje, o local serve como sede da ABI.
O atentado foi reivindicado pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), um grupo paramilitar de extrema-direita que defendia uma abertura “lenta, gradual e segura”. No dia seguinte ao ataque, ocorreram mais atentados, incluindo o lançamento de coquetéis molotov na 1ª Auditoria da 3ª Circunscrição Militar de Porto Alegre, que causaram um princípio de incêndio. Em 4 de setembro de 1976, uma bomba caseira explodiu no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo.
Entre agosto e novembro de 1976, foram registrados nove atentados terroristas no Rio de Janeiro, com a AAB assumindo a responsabilidade por oito deles. Apesar da intensidade das ações, o aparato de inteligência e repressão da época não conseguiu identificar os autores das ações terroristas.




