O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, negou nesta quarta-feira (20) as acusações feitas pelo ex-presidente boliviano Evo Morales, que afirmara que o governo de Javier Milei teria enviado "material antidistúrbios" e transportado tropas bolivianas para ajudar o atual presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, a enfrentar tumultos no país. Quirno classificou as declarações de Morales como falsas e afirmou que elas evidenciam a atuação de um "eixo do mal", que utiliza a imprensa argentina para espalhar informações distorcidas com o intuito de desestabilizar a oposição na Bolívia.
A situação na Bolívia se agrava com bloqueios e tumultos organizados por grupos ligados a Evo Morales, que buscam derrubar o governo de Rodrigo Paz. Na terça-feira (19), Morales alegou em entrevista que a Argentina teria enviado apoio material ao governo boliviano, incluindo o transporte aéreo de militares de regiões como Santa Cruz, Potosí, Tarija e Chuquisaca até La Paz.
Em resposta, o chanceler Quirno esclareceu que um avião Hércules enviado pela Gestão Milei à Bolívia teve como único objetivo transportar "mais de 80 toneladas de alimentos bolivianos" para auxiliar no enfrentamento do bloqueio imposto por simpatizantes de Morales. O ministro ressaltou que as declarações do ex-presidente visam intensificar a tensão entre os povos da Argentina e da Bolívia.
Evo Morales, que foi presidente da Bolívia entre 2006 e 2019, enfrenta uma situação delicada, estando protegido por um grande número de aliados no Trópico de Cochabamba, seu reduto eleitoral. Desde outubro de 2024, ele se encontra nessa condição para evitar a execução de uma ordem de prisão contra ele, relacionada a acusações de tráfico agravado de pessoas e de manter relações sexuais com uma menor de idade, com a qual teria tido uma filha durante seu governo.
As declarações de ambas as partes refletem um momento tenso nas relações entre Argentina e Bolívia, onde o clima político é permeado por desconfianças e embates entre os governos atuais e os ex-presidentes. A gestão de Javier Milei tem se posicionado de maneira firme em relação a essas acusações, buscando deslegitimar as narrativas que considera prejudiciais a seus interesses na região.




