Durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas realizada na terça-feira (19), a Rússia emitiu uma ameaça direcionada à Letônia, um dos países integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, afirmou que a aliança militar não seria capaz de proteger a Letônia de uma possível retaliação, caso drones ucranianos fossem lançados a partir de seu território contra alvos russos.
A declaração provocou uma reação imediata dos Estados Unidos. A vice-embaixadora americana na ONU, Tammy Bruce, ressaltou que Washington manterá todos os seus compromissos com a Otan, mesmo diante das recentes ameaças de retirada do país da aliança, feitas pelo presidente Donald Trump. Ela enfatizou que não há espaço para ameaças contra um membro do Conselho de Segurança.
Nebenzya alegou que Moscou possui informações de inteligência que indicam que a Ucrânia estaria planejando utilizar a Letônia e outros países bálticos como base para o lançamento de drones. Ao afirmar que “o pertencimento à Otan não protegerá vocês de retaliação”, o embaixador russo reforçou a tensão entre as nações.
Em resposta, a representante da Letônia no Conselho de Segurança, Sanita Pavluta-Deslandes, refutou as declarações russas, chamando-as de “pura ficção” e “puras mentiras”. Ela afirmou que a Rússia está conduzindo uma campanha de desinformação intensa contra os países da região.
A Ucrânia também reagiu às acusações feitas pela Rússia, com o representante ucraniano na ONU, Andriy Melnyk, descrevendo as alegações como “contos de fadas”. Ele negou que Kiev utilize o território da Letônia ou da Estônia para atacar a Rússia, enfatizando a falta de fundamento nas declarações russas.
A escalada verbal entre as nações ocorreu poucas horas após um incidente em que um caça da Otan derrubou um drone ucraniano que havia invadido o espaço aéreo da Estônia. Autoridades da Ucrânia afirmaram que o drone teria sido desviado por sistemas de guerra eletrônica operados pela Rússia. Além disso, a Letônia emitiu alertas aéreos em áreas próximas à fronteira com a Rússia, embora posteriormente tenha informado que não detectou drones em seu território.




