O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou, nesta sexta-feira (1º), a retirada de 5 mil soldados da Alemanha, com a previsão de que a operação seja concluída em até um ano. Essa medida intensifica as tensões com Berlim e com aliados da Otan, especialmente em um momento em que a resistência europeia em apoiar os esforços militares americanos no Irã se torna mais evidente. A decisão acontece logo após o chanceler Friedrich Merz declarar que os EUA foram "humilhados" pelo Irã, questionando a falta de uma estratégia clara para resolver o conflito.
Sean Parnell, porta-voz do Pentágono, comunicou que essa decisão é fruto de uma revisão da presença militar na Europa. A retirada deve ocorrer em um período que varia de seis a doze meses, com uma brigada de combate sendo deslocada para fora da Alemanha. Essa ação reduz o número de tropas americanas na Europa ao nível de 2022, antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, e revoga um plano anteriormente anunciado pelo governo de Joe Biden, que previa o envio de um batalhão com mísseis convencionais de longo alcance para a Alemanha neste ano.
Os militares retirados deverão ser realocados tanto para o Hemisfério Ocidental quanto para o Indo-Pacífico. No final de 2022, os Estados Unidos mantinham 68 mil militares ativos em bases na Europa, sendo que mais de 36,4 mil estavam estacionados na Alemanha, que é considerada o principal centro militar americano no continente. O país abriga importantes centros de treinamento e apoio logístico para operações no Oriente Médio, além de servir como um hub na Operação Fúria Épica, a campanha dos EUA contra o Irã.
A Alemanha conta com estruturas estratégicas como a Base Aérea de Ramstein, o Comando Europeu dos EUA e o quartel-general do Comando Africano dos EUA, além do Centro Médico Regional de Landstuhl, o maior hospital militar americano fora do território nacional, que tem atendido feridos do conflito no Irã.
Em declarações feitas na quinta-feira (30), Trump também mencionou a possibilidade de reduzir o número de tropas americanas Na Itália e na Espanha. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou a ofensiva coordenada entre os EUA e Israel, rejeitando o uso de bases espanholas para apoio às operações militares. Em resposta, Trump ameaçou sanções comerciais e sugeriu a suspensão da Espanha da Otan, uma hipótese que não é suportada pelas normas da aliança.
Atualmente, cerca de 3,2 mil militares americanos estão presentes na Espanha. Na Itália, o governo de Giorgia Meloni tem evitado um envolvimento direto nas operações, negando o uso de uma base na Sicília para a passagem de aviões americanos que transportavam armas. O atrito entre Meloni e Trump aumentou após críticas da premiê a declarações do presidente americano sobre o Papa Leão XIV, levando a uma deterioração na relação entre ambos, que antes eram aliados.




