Roberto Maria Pereira Neves, um homem de 52 anos, tem enfrentado desafios diários ao percorrer 10 km em sua bicicleta cargueira para vender salgados nos bairros de Campo Grande. Sua jornada começou há oito anos, não por escolha, mas por necessidade, após um acidente que o afastou de sua antiga profissão de montador de estruturas de eventos. Na quarta-feira, 22, enquanto passava pela Avenida Duque de Caxias, ele observou a montagem do show do Ce Tá Doido, relembrando a época em que trabalhava nesse setor. Após a queda de uma plataforma de 6 metros, ele se viu impossibilitado de exercer sua função, o que o levou a buscar novas formas de sustento.
Com a bicicleta como seu meio de trabalho, Roberto revela que não teve alternativa a não ser se reinventar. "É uma história triste porque comecei por um acidente de trabalho e não tive condições de trabalhar para ninguém. Tive que me virar assim. Antes mexia com evento, quebrei a coluna, foram anos de recuperação", afirma ele, ao observar a movimentação ao seu redor enquanto aguarda os clientes. Às 10h, Roberto tinha apenas três salgados em seu cooler, mas a demanda é constante.
Ele transporta suas mercadorias em duas caixas térmicas na frente da bicicleta, além de levar uma garrafa grande de café e outras menores com leite e suco na parte traseira. Um simples aviso de papel desgastado é o que indica aos passantes que ali podem encontrar comida. Entre as opções disponíveis, ele oferece variedades como pão italiano, presunto e queijo, calabresa, frango e esfirra, cada uma custando R$ 6. Roberto percorre bairros como Nova Campo Grande até a Rua Yokohama, sempre com a meta de vender 60 salgados por dia, número que frequentemente consegue alcançar. A esfirra de carne é a mais procurada entre os clientes.
A rotina de trabalho de Roberto começa cedo; ele se levanta às 3h para preparar os itens e sai de casa por volta das 4h ou 5h da manhã, retornando apenas após as 22h. Apesar dos riscos que envolvem pedalar em ruas pouco sinalizadas e sem ciclovias adequadas, ele não demonstra preocupação. "Não me preocupo com os perigos da rua porque a gente corre risco em qualquer lugar. Há 8 anos me viro com isso, não temos chance de estar no mercado de trabalho, ninguém dá chance. Isso é para tapar buracos, mas é isso", conclui Roberto, refletindo sobre sua realidade.



