A Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, localizada em Ribas do Rio Pardo, realizou na última sexta-feira (17) um novo vertimento controlado para conter a proliferação de macrófitas que têm afetado o Rio Pardo. De acordo com a Elera Renováveis, responsável pela operação da usina, o procedimento foi realizado em condições ambientais favoráveis e segue um plano de manejo previamente estabelecido.
Recentemente, moradores da região expressaram suas preocupações em relação ao aumento das plantas aquáticas, que dificultam a navegação e outras atividades recreativas. Vídeos compartilhados por residentes mostraram áreas do rio cobertas por vegetação flutuante, um fenômeno que começou a ser observado em fevereiro de 2025. Desde então, as causas da proliferação de macrófitas não foram oficialmente concluídas, e o caso é objeto de uma ação judicial em andamento.
A Elera Renováveis esclareceu que os vertimentos consistem na abertura controlada das comportas da usina, permitindo um aumento na vazão da água, o que ajuda a deslocar as macrófitas acumuladas. Esses procedimentos são realizados com autorização do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). O primeiro vertimento ocorreu em 28 de outubro do ano passado, e a Elera afirmou que as operações são realizadas sempre que as condições do rio permitem, com monitoramentos específicos em andamento.
Atualmente, a cobertura do reservatório por espécies flutuantes é de 18%, um percentual que permanece abaixo do limite técnico de controle, estimado em 25%. A concessionária ressaltou que o período de estiagem, que teve início em abril, favorece o crescimento das macrófitas e reduz a vazão do rio, tornando os vertimentos menos frequentes.
Além disso, a Elera argumentou que a presença de macrófitas é uma parte natural dos ecossistemas aquáticos e pode desempenhar funções ecológicas importantes, como fornecer abrigo e alimento para a fauna local. No entanto, proprietários de imóveis ao longo do rio relataram problemas decorrentes do acúmulo das plantas, como mau cheiro e dificuldades para navegar, afetando suas atividades de lazer.
A professora Edna Scremin-Dias, do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), já havia comentado sobre a proliferação das macrófitas, associando-a ao processo de eutrofização. Esse fenômeno é causado pelo excesso de nutrientes na água, que pode ser relacionado a práticas agropecuárias, lançamento de esgoto e à diminuição da vazão do rio. A presença da barragem também altera o fluxo da água e contribui para o acúmulo de sedimentos, sendo necessária a realização de análises químicas para identificar as fontes dos nutrientes e desenvolver estratégias eficazes para mitigar o problema.




