Em junho de 2026, a União Europeia deu início ao novo Pacto de Migração e Asilo, uma iniciativa que busca unificar as normas de fronteira entre os 27 países do bloco. Esta estratégia tem como objetivo melhorar o controle sobre a imigração ilegal, aumentando as deportações e implementando um sistema digital de entrada que utiliza tecnologia de biometria. A medida foi adotada em resposta à crescente pressão política de partidos conservadores na região.
O Pacto estabelece que qualquer pessoa que entre ilegalmente na União Europeia deve passar por uma triagem obrigatória que envolve verificação de identidade, segurança e saúde em um prazo máximo de sete dias. Essa triagem rápida tem a finalidade de identificar rapidamente os imigrantes provenientes de países com baixa taxa de aprovação de asilo, que terão seus pedidos analisados com agilidade. Caso a solicitação seja negada, o imigrante será deportado imediatamente.
Para fortalecer esse processo, a Europa ampliou o uso do Eurodac, um banco de dados que armazena impressões digitais e imagens faciais de migrantes. Esta tecnologia permite que as autoridades rastreiem os imigrantes dentro do bloco, evitando que uma mesma pessoa solicite asilo em diferentes países simultaneamente. Além disso, o sistema auxilia no monitoramento de deslocamentos não autorizados entre as nações, garantindo que os estrangeiros permaneçam onde seus processos estão sendo analisados.
Atualmente, a União Europeia enfrenta um desafio significativo: muitos imigrantes recebem ordens de saída, mas poucos realmente deixam o continente. Em um trimestre comum, aproximadamente 34 mil pessoas deixam o bloco, apesar de mais de 117 mil ordens de deportação emitidas. Para contornar essa situação, o Parlamento Europeu aprovou a criação de 'locais de retorno' em países fora da União Europeia, onde os imigrantes irregulares poderão aguardar o destino final de suas situações.
A digitalização das fronteiras também se estende aos turistas. O Sistema de Entrada e Saída (EES) já está em operação completa, substituindo o carimbo no passaporte pela biometria obrigatória para visitantes dos 29 países do Espaço Schengen. Esse sistema permite que as autoridades monitorem com precisão se algum visitante excedeu o período permitido de permanência. A partir do final de 2026, o ETIAS, uma autorização eletrônica, deverá ser solicitada por brasileiros antes de embarcarem para a Europa.
Essas medidas são impulsionadas por um contexto político particular, marcado pelo crescimento de partidos nacionalistas e conservadores em países como Itália, França e Polônia. A imigração tornou-se um tema central nas discussões públicas, especialmente com as eleições gerais programadas para 2027 em várias nações importantes do bloco. As autoridades em Bruxelas decidiram, portanto, agir para demonstrar que têm controle sobre as fronteiras, buscando estabilizar o sistema migratório e reduzir a sensação de crise que persiste desde 2015.




