O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou sua posição em entrevista à Fox News, neste sábado (30), ao afirmar que não tem pressa em alcançar um acordo para pôr fim à guerra no Irã. Durante a conversa com sua nora, Lara Trump, o mandatário republicano afirmou que está conseguindo, de forma gradual, o que deseja. "A única garantia que preciso é que não haverá armas nucleares [obtidas pelo Irã]. Eles concordaram com isso, e foi muito interessante", declarou.
Trump destacou que, embora gostaria de ver um acordo mais rápido devido à expectativa de queda nos preços da gasolina, a pressa poderia comprometer a qualidade do entendimento. "Se você estiver com pressa, não vai conseguir um bom acordo", argumentou. Essa declaração vem na esteira de uma reunião realizada na sexta-feira (29) na Casa Branca, onde o presidente deveria anunciar uma decisão sobre um memorando de entendimento que visa prorrogar a trégua com o Irã, vigente desde 7 de abril, por mais 60 dias. No entanto, até o momento, Trump não se manifestou sobre essa questão.
A nova abordagem de Trump, que evita ultimatuns, contrasta com sua postura inicial no contexto da guerra, que teve início em 28 de fevereiro. Durante as primeiras semanas, ele chegou a ameaçar que uma "civilização inteira" poderia ser devastada no Irã caso o regime iraniano não liberasse o estratégico Estreito de Ormuz até o dia 7 de abril. A ameaça envolvia bombardeios a usinas de energia e pontes iranianas, mas, horas antes do fim do prazo, o presidente anunciou um cessar-fogo que permanece em vigor, embora tenham ocorrido ataques pontuais nas semanas seguintes.
A recente mudança na postura de Trump gerou preocupações entre aliados no Partido Republicano, uma vez que a alta nos preços dos combustíveis, provocada pelo bloqueio de Ormuz, pode prejudicar as chances da legenda nas eleições parlamentares de meio de mandato, previstas para novembro. Em uma declaração na quarta-feira (27), Trump expressou que a guerra no Irã, como é chamada em Washington, "não conseguiu produzir" uma rápida vitória, semelhante à captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro em janeiro.
Apressar um acordo neste momento pode criar a impressão de desespero, o que, segundo especialistas, encorajaria Teerã a adotar uma postura mais resistente nas negociações. A análise aponta que, embora Trump afirme não estar sob pressão eleitoral em relação ao Irã, ele e seus aliados republicanos enfrentam um cenário desafiador nas eleições de meio de mandato, que começam em pouco mais de três meses. As atuais tendências políticas se mostram desfavoráveis para os republicanos, o que levanta a necessidade de avanços significativos nas negociações em breve, incluindo a reabertura total do Estreito de Ormuz.




