A revista britânica The Economist publicou uma análise no último domingo (31) onde afirma que a confiança dos brasileiros nas urnas eletrônicas vem diminuindo, classificando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como uma corte de poder excessivo, acumulando funções que podem gerar conflitos de interesse.
O Brasil é destacado como o único país do mundo a realizar eleições completamente eletrônicas. Apesar dos esforços do TSE para promover o sistema, incluindo a campanha do mascote Pilili em celebração aos 30 anos das urnas, a queda na confiança do eleitorado persiste.
A publicação menciona a posição do TSE, que defende a segurança das urnas eletrônicas, citando também a ex-presidente do TSE, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, que afirmou não haver evidências de fraudes eleitorais em mais de três décadas de utilização do sistema.
Os dados do instituto Latinobarómetro foram utilizados para ilustrar a perda de confiança. Em 2009, 45% dos brasileiros acreditavam que as eleições eram invioláveis, enquanto 47% consideravam a possibilidade de fraudes. Para 2024, esses números teriam mudado para apenas 32% de confiança e 61% de desconfiança. A pesquisa de fevereiro da Genial/Quaest também revelou que 43% dos entrevistados não confiam nas urnas eletrônicas.
A revista relaciona essa queda na confiança à polarização política e à disseminação de informações falsas nas redes sociais. Parte do texto menciona o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que questionou o sistema eleitoral após sua derrota nas eleições presidenciais de 2022, destacando que o debate sobre as urnas tornou-se significativo entre setores da direita brasileira, incluindo apoiadores do presidente dos EUA, Donald Trump.
Especialistas entrevistados na reportagem defendem a implementação de mecanismos adicionais de auditoria, como a emissão de comprovantes físicos de voto. A Economist observa que propostas nesse sentido foram discutidas no Congresso Nacional, mas enfrentaram resistência do TSE, que argumenta que isso poderia comprometer o sigilo do voto e causar dificuldades operacionais.




