O Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou na última segunda-feira (25) uma significativa redução de 50% em seu salário e no de seus ministros. A decisão foi comunicada durante uma cerimônia em Sucre, capital constitucional do país e sede do Poder Judiciário. Este gesto ocorre em um contexto de intensos protestos e violência, liderados pelo ex-presidente Evo Morales e incentivados por sindicatos de camponeses.
Os protestos começaram há quatro semanas e têm gerado bloqueios de estradas em diversas regiões da Bolívia. Os manifestantes exigem a renúncia do governo atual, que é classificado como de direita. “Este presidente, juntamente com seus ministros, tomou a decisão, como parte de nosso esforço e compromisso com o país, de reduzir nossos salários em 50%”, afirmou Paz durante a comemoração do 217º aniversário da libertação de Sucre.
Antes da redução, o presidente recebia um salário de 24.978 bolivianos, equivalentes a US$ 3.617. Com a nova medida, o salário de Rodrigo Paz passará a ser de aproximadamente 12.489 bolivianos, ou US$ 1.808. É importante ressaltar que, anteriormente, nenhum funcionário poderia ter um salário superior ao do presidente.
Os bloqueios promovidos pelos manifestantes têm causado sérios problemas de abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, afetando principalmente as cidades de La Paz e El Alto, além das fronteiras com o Peru e o Chile. O governo boliviano, diante da situação, recebeu no domingo uma doação de quatro toneladas de alimentos do Peru para ajudar as famílias impactadas pelos bloqueios.
Adicionalmente, a Bolívia contou com a cooperação do governo argentino, que enviou duas aeronaves militares para transportar carne da cidade de Santa Cruz para La Paz e El Alto. O Chile também se mobilizou, enviando na semana passada 480 caixas de alimentos como ajuda humanitária. Em outra frente, os EUA também se manifestaram, enviando assistência alimentar, suprimentos médicos e apoio logístico para auxiliar o governo de Rodrigo Paz.
Essas ações demonstram a complexidade da situação no país, onde a crise política e social se intensifica, gerando uma necessidade urgente de diálogo e resolução pacífica dos conflitos.




