Os insumos agrícolas estão passando por uma correção significativa de preços nas últimas semanas, o que pode impactar as contas para as próximas safras. Nos últimos 30 dias, as cotações da Ureia, do sulfato de amônio e de princípios ativos na China apresentaram quedas consideráveis, conforme análise de Jeferson Souza, especialista em inteligência de mercado.
Além disso, o mercado de defensivos agrícolas também começa a sinalizar uma tendência de baixa. A avaliação é que o pico da crise ocorreu em meados de abril, e desde então, o mercado na origem tem mostrado um comportamento mais fraco. Entretanto, mesmo com os ajustes, os preços atuais ainda estão acima dos níveis verificados antes do início do conflito armado.
É importante ter cautela ao interpretar esses dados, uma vez que os mercados de defensivos e fertilizantes não se comportam da mesma maneira. No caso dos defensivos, a relação entre os preços na origem e no destino não é imediata. Uma alta nos preços na origem não implica necessariamente um aumento instantâneo no destino, assim como uma queda pode demorar a ser sentida pelos produtores.
Recentemente, cálculos realizados com produtores visando a safra 2026/27 indicaram que a diferença nos gastos por hectare com defensivos é relativamente pequena em comparação ao impacto dos fertilizantes. A melhora nos preços da soja também contribuiu para suavizar a percepção sobre os custos, oferecendo um alívio parcial para os produtores.
Apesar dos ajustes positivos, ainda há uma significativa quantidade de mercado a ser negociada. Para os defensivos destinados à soja da safra 2026/27, cerca de 55% a 60% do mercado permanece em aberto. No caso do milho safrinha 2027, aproximadamente 90% dos defensivos ainda não foram comercializados. Em Mato Grosso, o andamento dessas negociações avançou, mas ainda há um volume considerável pendente, indicando que o mercado ainda apresenta oportunidades relevantes.
A situação atual exige atenção e acompanhamento contínuo, especialmente em um cenário onde a volatilidade dos preços pode influenciar diretamente a rentabilidade das lavouras e as decisões dos produtores nas próximas safras.




