Um acordo aduaneiro abrangente para facilitar o comércio entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile só deverá ser finalizado após a conclusão das obras do Corredor Bioceânico. A declaração é do ministro João Carlos Parkinson de Castro, do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Parkinson enfatizou que, neste momento, as instituições envolvidas estão com as negociações paralisadas e que um impulso político de alto nível será necessário para avançar com as tratativas. "As negociações estão postas, mas avançam lentamente", afirmou.
O ministro destacou que já há progressos, incluindo a adesão do Brasil à TIR (Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR), um acordo da ONU que funciona como um "passaporte de cargas". Esse sistema possibilita que as mercadorias sejam transportadas em caminhões lacrados na origem e inspecionadas apenas no destino, reduzindo as burocracias aduaneiras intermediárias. No entanto, Parkinson mencionou que a implementação do TIR encontra resistência da ABTI (Associação Brasileira de Transportadores Internacionais) e falta de conhecimento no setor privado.
Nesta segunda-feira (18), uma reunião da Mesa 3, que trata da Simplificação dos Procedimentos de Fronteira, está programada para ocorrer em Brasília (DF). Este encontro contará com a presença de representantes das aduanas dos quatro países envolvidos no Corredor Bioceânico. O ministro também recordou que, em agosto do ano anterior, foi finalizado um diagnóstico abrangente dos desafios enfrentados na circulação de mercadorias, pessoas e veículos nos postos de fronteira do corredor. O estudo incluiu propostas para aprimorar a eficiência logística e fortalecer a integração regional, resultando em 264 ações para melhorar o comércio transfronteiriço.
O relatório identificou que, no Brasil, as melhorias necessárias podem envolver um investimento de US$ 443 milhões. A construção da Ponte da Bioceânica, que conecta o Paraguai a Porto Murtinho, está com cerca de 90% das obras finalizadas. A previsão é que, em maio, ocorra o encontro conhecido como "beijo das aduelas", onde as duas extremidades da ponte se encontrarão. O segundo trecho da rota, que se estende de Cruce Centinela a Mariscal Estigarribia, possui 102 quilômetros e um investimento de US$ 200 milhões, com financiamento já autorizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Enquanto as obras de pavimentação não são concluídas, a rodovia PY09 remodelada está sendo utilizada como alternativa para o trajeto. O terceiro trecho da rota, que já começou a receber base asfáltica, deve ser finalizado até janeiro do próximo ano. Esta parte avançou em etapas críticas, como a construção de 50 quilômetros de aterro e 57 linhas de bueiros, que são essenciais para garantir a durabilidade da via no solo do Chaco. A estrutura da rodovia prevê uma pista com 7 metros de largura, acostamentos de 2,5 metros e a instalação de passagens de fauna para a preservação do ecossistema local.




