O papa Leão XIV, durante uma Viagem Apostólica de 11 dias à África, declarou que não tem intenção de debater com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A afirmação foi feita no último sábado (18) enquanto o papa se deslocava de Camarões para Angola, em resposta às críticas que o mandatário americano fez ao longo da semana. Leão XIV se pronunciou a jornalistas a bordo do avião papal.
Em suas declarações, Leão XIV mencionou que houve uma interpretação imprecisa de seus comentários e destacou que a situação política se agravou após Trump ter feito observações sobre ele no primeiro dia da viagem. “Houve uma certa narrativa que não foi precisa em todos os seus aspectos”, afirmou o papa. Ele acrescentou que muito do que foi dito desde então consistiu em tentativas de interpretar seus discursos.
O papa se referiu especificamente ao discurso realizado na quinta-feira (16) em Bamenda, Camarões, no qual ele falou sobre a devastação do mundo por um “punhado de tiranos” e líderes que investem “bilhões de dólares” em guerras. Leão XIV negou que esse discurso fosse uma resposta às críticas de Trump. “O discurso que proferi no encontro de oração pela paz foi preparado duas semanas antes, muito antes de o presidente sequer ter comentado sobre mim”, explicou.
Leão XIV também destacou que não tem interesse em se envolver em debates políticos, enfatizando que sua mensagem é de paz e não deve ser interpretada como um desafio ao presidente. “Não me interessa de forma alguma”, declarou o papa, referindo-se à ideia de debater com Trump.
A tensão entre os dois líderes aumentou após Trump ter publicado em sua conta na Truth Social, no domingo (12), críticas ao papa, mencionando sua posição sobre o Irã e a Venezuela. Trump expressou que não deseja um papa que aceite que o Irã tenha armas nucleares ou que critique a posição dos Estados Unidos sobre a Venezuela. Essa crítica se deu em razão dos comentários de Leão XIV sobre a necessidade de desescalar a militarização em ambas as nações.
Além disso, na quarta-feira (15), Trump voltou a se manifestar sobre o papa, afirmando que o Irã matou 42 mil manifestantes inocentes e que a posse de armas nucleares pelo país persa é inaceitável. O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, também se posicionou em apoio a Trump, sugerindo que o Vaticano deveria focar em questões de moralidade, em entrevistas a emissoras de televisão e durante um evento da Turning Point USA na Geórgia.




