Após a excomunhão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) pelo Vaticano, um sacerdote do grupo expressou sua expectativa de que a comunidade tradicionalista seja acolhida novamente pela Igreja Católica sob a liderança de um futuro papa. A declaração foi feita no último domingo (5) durante uma missa na cidade de Wil, na Suíça, pelo padre Georg Kopf, que faz parte da fraternidade que entrou em cisma ao consagrar quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV.
"Um dia haverá outro papa que abrirá a porta e nos acolherá de volta. Assim como o papa Bento", afirmou Kopf, mencionando Bento XVI, que em 2009 suspendeu a excomunhão imposta ao grupo. O sacerdote enfatizou que a decisão da fraternidade não visava romper de forma definitiva com Roma. "Nada do que aconteceu em 1º de julho teve a intenção de estabelecer uma igreja paralela ou romper com Roma", declarou durante seu sermão, proferido em alemão.
De acordo com Kopf, as ordenações realizadas pela FSSPX foram motivadas por uma "fidelidade" à Igreja. "Pelo contrário, foi precisamente por amor à Igreja e ao papa que essas ordenações foram realizadas, a fim de cuidar da salvação das almas", ressaltou.
A crise começou na última terça-feira (1º), quando a FSSPX consagrou quatro novos bispos: o suíço Pascal Schreiber, o americano Michael Goldade e os franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, em uma cerimônia realizada em Ecône, na Suíça. Conforme o direito canônico, a ordenação episcopal sem autorização pontifícia é considerada um ato de cisma, resultando na excomunhão automática dos bispos envolvidos.
Um dia após a consagração, o Vaticano confirmou a sanção e declarou oficialmente que o grupo estava em cisma, além de informar que tentou evitar a ruptura. A Santa Sé mencionou que o papa Leão XIV havia feito um último apelo para que a fraternidade desistisse da cerimônia, alertando que tal ato privaria os fiéis da recepção lícita – e em alguns casos até válida – dos sacramentos.
O Dicastério para a Doutrina da Fé também emitiu orientações para facilitar o retorno de sacerdotes que exerciam ministério legítimo na Igreja. O papa Francisco, em uma tentativa de aproximação com a FSSPX, reconheceu durante o Jubileu da Misericórdia, em 2015, como válidas as confissões feitas pelos sacerdotes da fraternidade, estendendo essa autorização de forma permanente em 2017. Na mesma linha, o papa permitiu que bispos diocesanos autorizassem sacerdotes da FSSPX a testemunhar casamentos em circunstâncias específicas.




