A Operação Gutenberg, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na terça-feira (7), resultou na apreensão de mais de R$ 3 milhões em cheques. O uso de cheques tem diminuído desde os anos 90, especialmente após a introdução do Pix, mas ainda é utilizado em transações de alto valor por algumas empresas. A operação investiga um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que movimentou cerca de R$ 27 milhões.
Além dos cheques, a operação também recolheu mais de R$ 200 mil em dinheiro vivo, sendo que parte das cédulas estava nova e ainda lacrada pelo Banco Central. O balanço das diligências foi atualizado pelo Gaeco e divulgado ao Campo Grande News às 18h desta quinta-feira (9). Até o momento, 14 mandados de prisão preventiva foram cumpridos, enquanto duas pessoas permanecem foragidas. Dos 43 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, 40 foram cumpridos.
Durante a operação, três prisões em flagrante foram realizadas por posse ilegal de arma de fogo. Giovanni Paroschi Jafar e Heyder Bartz, que ainda têm mandados de prisão pendentes, estão entre os alvos da operação. Giovanni é o quarto membro da família Paroschi Jafar a ser investigado, sendo que sua mãe, a dentista Rossana Paroschi Jafar, e seus irmãos Olívia e Felipe Paroschi Jafar já estão presos.
O montante apreendido em espécie superou o valor inicialmente divulgado no dia do início da operação, que era de R$ 69.795 e 907 dólares. A Operação Gutenberg visava cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
As investigações apontam para a atuação de uma suposta organização criminosa que buscava ocultar a origem dos recursos financeiros. O Gaeco também revelou que a investigação abrange a saúde pública, com indícios de que servidores cooptados utilizavam sua influência na regulação estadual para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais à compra de livros vendidos pelo grupo investigado. Durante a operação, equipes estiveram no Core (Complexo Regulador Estadual) e apreenderam materiais relevantes para a investigação.
Entre os detidos estão empresários, servidores públicos, profissionais da saúde, advogados e o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Junior Vasconcelos. Também foi preso Ed Carlo Britto Burgatt, que ocupava o cargo de coordenador estadual de Regulação Assistencial. As prisões preventivas de Rossana Paroschi Jafar, Jessyca Duarte Burgatt e Junior Vasconcelos foram mantidas após audiências de custódia realizadas nesta quinta-feira. As defesas dos investigados estão preparando medidas judiciais para tentar revogar as ordens de prisão e contestam a participação de seus clientes no esquema.




