A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), comemora seis meses de investigações nesta segunda-feira (18). Desde o início, em 2024, a operação revelou o que pode ser uma das maiores fraudes já registradas no Sistema Financeiro Nacional, com potenciais danos calculados em dezenas de bilhões de dólares. O foco da apuração é Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, cujos vínculos com políticos, agentes públicos e criminosos de alta periculosidade foram expostos ao longo das investigações.
Até 14 de maio, foram realizadas seis fases da operação, que resultaram em 21 prisões temporárias e preventivas, além de 116 mandados de busca e apreensão. O Supremo Tribunal Federal (STF) participou ativamente, decretando a prisão de Vorcaro e outros envolvidos, incluindo diretores do Banco Central (BC) e até agentes da própria PF. As ações judiciais também permitiram o bloqueio e sequestro de bens que totalizam aproximadamente R$ 27,71 bilhões.
A primeira fase da operação ocorreu em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi um dos sete indivíduos detidos. As investigações sobre a “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro” se arrastavam por quase um ano, levando à conclusão de que esses títulos foram vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e posteriormente substituídos por ativos sem a devida avaliação técnica, após fiscalização do BC. Além de Vorcaro, o ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, também foi preso.
Na sequência das investigações, a PF executou, em 14 de maio, seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Um sétimo mandado foi cumprido dois dias depois, resultando na captura de Victor Lima Sedlmaier em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em uma ação coordenada entre a PF, a Interpol e as autoridades locais. Entre os alvos estavam Henrique Vorcaro, pai de Daniel, que supostamente gerenciava um grupo conhecido como “A Turma”, e o policial federal Anderson da Silva Lima, suspeito de vazar informações sigilosas para Vorcaro.
As investigações da Operação Compliance Zero têm destacado não apenas a magnitude da fraude, mas também a complexidade das relações entre os envolvidos. O caso tem atraído a atenção do Ministério Público Federal (MPF) e do Poder Judiciário, que continuam a acompanhar de perto os desdobramentos. O Ministro André Mendonça também decidiu pela transferência do policial aposentado Marilson Roseno da Silva para um presídio federal, após sua detenção na terceira fase da operação.
A continuidade da operação e o aprofundamento das investigações prometem revelar ainda mais detalhes sobre essa intricada rede de corrupção e fraudes que, até o momento, já impactou severamente o Sistema Financeiro Nacional e a confiança nas instituições financeiras do Brasil.




