Antes de ser investigada pelo sequestro de uma bebê em Campo Grande, Suzilaine da Graça Costa, de 37 anos, já havia enfrentado uma medida protetiva estabelecida pela Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA). O processo, que se baseou na Lei Henry Borel, tramitou na Justiça de Mato Grosso do Sul e foi arquivado em novembro de 2024. Informações revelam que essa medida protetiva estava relacionada a desavenças envolvendo os filhos de Suzilaine, garantindo a proteção de duas adolescentes, suas filhas, e das pessoas que assumiram a guarda delas após serem vítimas de abusos sexuais por parte do ex-companheiro da mãe, com a conivência dela.
Na ocasião, Suzilaine tentou reaver a guarda das filhas, mas, diante da situação conflituosa, foi solicitada uma medida protetiva. Relatos de familiares indicavam preocupações com ameaças feitas pela mãe, que alegava ter vínculos com uma facção criminosa. O processo da VECA foi arquivado em definitivo no dia 22 de novembro de 2024, após o Ministério Público concluir que não havia elementos suficientes para sustentar uma ação penal.
Suzilaine é mãe de três crianças, e a responsabilidade pela criação delas recaiu principalmente sobre familiares. A mulher cresceu na região do Jardim Colibri, onde parte da investigação sobre o desaparecimento do bebê ocorreu. A mulher, agora sob investigação pelo sequestro, teria simulado uma gravidez por meses e, ao ter sua farsa descoberta, começou a procurar uma criança para apresentar como sua.
O plano de Suzilaine incluía retirar o bebê de uma família no Jardim Colibri e fugir para o Paraguai. A criança foi localizada dias depois e devolvida aos pais. A polícia informou que o sequestro contou com o auxílio do atual companheiro de Suzilaine, Alex Melo de Abreu, que também foi preso durante a investigação. A apuração revelou que Suzilaine escolheu a vítima ao procurar uma criança que se encaixasse na narrativa de sua suposta gestação.
A mãe da recém-nascida, que foi sequestrada aos 28 dias, relatou ter sido atraída por Suzilaine com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de outra criança, sendo rendida em seguida. O sequestro teve início na quinta-feira (7), quando a adolescente de 17 anos, que havia conhecido Suzilaine pela internet durante a gestação, recebeu uma proposta de uma diária como babá.
Juntamente com sua irmã, de 13 anos, a jovem foi até uma residência associada à suspeita. Durante a madrugada, Suzilaine deixou as adolescentes em uma área de mata próxima à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Universitário, já sem a bebê. A recém-nascida foi encontrada por volta de 1h15 de domingo (9), em uma casa de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde estavam Suzilaine e Alex, ambos presos pelas autoridades paraguaias. O rastreamento de sinais telefônicos foi crucial para que as forças de segurança chegassem ao local do sequestro.




