Um cruzamento de dados realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que, entre os 124 candidatos que participaram das eleições em Mato Grosso do Sul em 2022, 15 decidiram modificar sua autodeclaração de raça ou cor para o pleito de 2026. Essa alteração é permitida pela legislação eleitoral e ocorre no momento do registro da candidatura, quando o candidato preenche a ficha de autodeclaração.
As mudanças mais comuns se deram entre as categorias parda e branca. Alguns candidatos que se autodeclararam pardos em 2022 agora se identificam como brancos em 2026. Dentre eles, estão Carlos Bernardo (União), Chicão Vianna (Republicanos), Jeferson Bezerra (Agir), Lya Santos (Rede) e Rosana Santana (Novo). Por outro lado, candidatos que mudaram de branco para pardo incluem Adauto Souto (PDT), Adonis Marcos (Cidadania), Beto Pereira (Republicanos), Eduardo Borges (PT), Gilmar Garcia (PV) e Zé Teixeira (PL).
Além dessas mudanças, outros casos foram identificados envolvendo as categorias amarela e preta. Gilberto José Silva, conhecido como "China" (Avante), que se declarou amarelo em 2022, passou a se considerar branco em 2026. Em contrapartida, Roberto Hashioka (Republicanos), que busca uma vaga na Câmara dos Deputados, fez a transição de branco para amarelo.
As candidatas Enfermeira Cida Amaral (Avante) e Professora Gleice Jane (PT), ambas concorrendo ao cargo de deputada estadual, mudaram seu registro de pretas para pardas. A reportagem buscou contato com os candidatos que estão no exercício de mandatos e que alteraram suas declarações na Justiça Eleitoral. Até o fechamento da matéria, apenas Roberto Hashioka (Republicanos) respondeu. Ele alegou que houve um erro no preenchimento de sua candidatura em algum momento, mas garantiu que isso não afeta a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral.
Hashioka também mencionou que já solicitou uma verificação para identificar a origem do erro. Com ascendência japonesa e espanhola, ele acredita que poderia ter optado por outra categoria, mas ressaltou que a documentação de sua declaração deveria estar correta.
As normas referentes às cotas de cor e raça nas eleições brasileiras determinam que os partidos políticos devem destinar ao menos 30% dos recursos do TSE, que incluem o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário, bem como do tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV, para candidatos pretos e pardos. Além disso, votos recebidos por candidatos negros eleitos para a Câmara dos Deputados contam em dobro para o cálculo de distribuição do Fundo Partidário nas eleições subsequentes. O Ministério Público Eleitoral, vinculado ao TSE, tem a responsabilidade de fiscalizar a correta aplicação desses recursos e investigar possíveis desvios ou irregularidades.




