A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos manifestou sua preocupação em relação ao encerramento do Status de Proteção Temporária (TPS) para cidadãos de 13 países. A decisão, que foi tomada pela administração de Donald Trump, poderá afetar aproximadamente 1,3 milhão de imigrantes, que enfrentam o risco de deportação a partir de 2026. A Igreja Católica argumenta que muitos desses países ainda enfrentam conflitos e desastres que tornam inviável o retorno seguro de seus cidadãos.
O TPS é um benefício de imigração concedido pelo governo dos Estados Unidos a pessoas originárias de nações que estão em situações extremas, como guerras, epidemias ou desastres naturais. Este status permite que os imigrantes vivam e trabalhem legalmente no país por um período determinado, enquanto as condições em suas terras natais não melhoram. Contudo, como o próprio nome indica, o TPS não é um visto permanente ou uma anistia; trata-se de um recurso humanitário que precisa ser renovado periodicamente para continuar válido.
A situação da comunidade haitiana é especialmente crítica, uma vez que o status de proteção desse grupo expirou recentemente. O bispo Dom Brendan Cahill destacou que devolver haitianos ao seu país é um problema moral, dado que o Haiti atravessa uma crise profunda, sem oferecer condições mínimas de segurança para os repatriados. A Igreja defende que, se o governo ofereceu proteção anteriormente, não deveria revogá-la, considerando as condições de vida precárias no Haiti, como atestado por líderes religiosos locais.
Além do Haiti, outras nações também estão perto de perder o TPS. Cidadãos de El Salvador verão sua proteção expirar em setembro de 2026, seguidos por pessoas do Sudão e da Ucrânia em outubro e pelos libaneses em novembro. Ao todo, cerca de 1,3 milhão de imigrantes estão distribuídos em 17 países que dependem desse status, mas o governo americano está se movendo para encerrar o benefício para 13 deles. Estados como Flórida, Texas e Nova York concentram as maiores populações de imigrantes que agora enfrentam incertezas legais e o temor de processos de remoção forçada pelo Serviço de Imigração.
O Departamento de Segurança Interna tem promovido uma estratégia de autodeportação, onde imigrantes sem status legal são incentivados a informar via aplicativo sua intenção de deixar o país voluntariamente. Em troca, o governo oferece a viagem sem custo, um bônus de saída de 2.600 dólares e a isenção de multas por permanência irregular. As autoridades afirmam que essa opção permite ao imigrante a possibilidade de eventualmente retornar legalmente aos Estados Unidos, ao contrário da situação de quem aguarda a detenção e expulsão pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que fica proibido de voltar ao país com status regular.




