A Marinha dos EUA está avaliando a possibilidade de alterar o nome de um porta-aviões em construção que originalmente deveria homenagear Doris Miller, um marinheiro negro reconhecido por sua bravura durante o ataque a Pearl Harbor. A decisão de nomear o navio como USS Doris Miller foi anunciada durante a administração de Donald Trump, em 2017, como uma forma de reconhecer as contribuições de Miller na defesa das forças americanas contra o Japão.
Fontes internas revelam que a Marinha está considerando dar ao porta-aviões o nome de Trump, o que seria uma ação sem precedentes, já que um navio de guerra não costuma receber o nome de um presidente em exercício. Alternativamente, a Marinha pretende dedicar o nome de Miller a uma outra embarcação e está recomendando que ele receba a Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos. A autorização para essa honraria deve ser aprovada pelo Congresso e pelo próprio Trump.
Thomas Bledsoe, sobrinho-neto de Doris Miller, declarou que sua família não foi informada sobre a possível mudança de nome ou sobre o esforço para conceder a Medalha de Honra. Ele comentou que a família luta há anos para que Miller receba essa honraria, considerando a recomendação da Marinha como um avanço positivo.
O secretário interino da Marinha, Hung Cao, e seu gabinete estão revisando as diretrizes que regem a nomeação de navios, incluindo a possibilidade de homenagear presidentes. Desde o início de 2023, as discussões sobre a mudança do nome do USS Doris Miller vêm sendo realizadas, com a Marinha evitando se referir ao porta-aviões pelo nome de Miller em comunicações internas.
Os porta-aviões da Marinha dos EUA geralmente recebem nomes de ex-presidentes, como o USS Abraham Lincoln, USS George H.W. Bush, USS Ronald Reagan e USS George Washington, embora nenhum desses navios tenha sido nomeado durante o mandato dos presidentes que os homenageiam. O USS Nimitz, por exemplo, é uma exceção, já que leva o nome do almirante que comandou a Frota do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. O USS Carl Vinson, por sua vez, homenageia um deputado da Geórgia que ocupou cargos importantes nas comissões de Assuntos Navais e Serviços Armados da Câmara dos Representantes.
A discussão sobre o nome do porta-aviões e a possível homenagem a Donald Trump adiciona uma camada de complexidade ao debate sobre as homenagens na Marinha, especialmente em um contexto onde o reconhecimento de figuras históricas é constantemente reavaliado. O resultado dessa iniciativa pode impactar não apenas a forma como a Marinha homenageia seus heróis, mas também como esses nomes são percebidos pela sociedade e pelas futuras gerações.




