Na noite de 19 de setembro, a ONG Realidad Helicoide anunciou a libertação de três policiais da antiga Polícia Metropolitana de Caracas: Héctor Rovaín, Erasmo Bolívar e Luis Molina. Eles estavam encarcerados há 23 anos e um mês, sendo considerados os presos políticos com maior tempo de detenção sob o regime chavista, que está no poder desde 1999.
A libertação ocorre em um contexto de mudanças, após a captura do líder do regime, Nicolás Maduro, em uma operação militar realizada pelos EUA em janeiro. Desde então, o governo interino de Delcy Rodríguez tem promovido uma série de liberações de presos políticos. Apesar disso, a Realidad Helicoide alertou que cerca de 500 pessoas ainda permanecem detidas por razões políticas, reiterando que a luta pela liberdade continuará até que todos sejam soltos.
Os três ex-policiais foram acusados de envolvimento no tiroteio na Puente Llaguno, um episódio que resultou no chamado Massacre de El Silencio, em abril de 2002. Durante uma manifestação que buscava apoio para a derrubada do então presidente Hugo Chávez, ocorreram confrontos que culminaram na morte de 19 pessoas, levando à sua detenção e subsequente condenação a 30 anos de prisão, a pena máxima no país.
Organizações de direitos humanos, como a ONG Foro Penal, criticaram o processo judicial, apontando irregularidades e alegando que o julgamento foi politizado, o que fundamentou a classificação desses policiais como presos políticos. Durante os anos de encarceramento, eles enfrentaram diversos problemas de saúde, conforme relatado pelo site Efecto Cocuyo.
Erasmo Bolívar, atualmente com 50 anos, apresenta complicações de saúde, incluindo dores de estômago e descolamento de retina. Já Luis Molina, de 57 anos, foi hospitalizado em maio de 2025 devido a uma peritonite, além de ter interrompido suas atividades dentro da prisão devido a problemas de saúde. Héctor Rovaín também tem 57 anos e compartilha desafios semelhantes.
A Polícia Metropolitana de Caracas foi oficialmente extinta em abril de 2011, quando seu efetivo foi transferido para a Polícia Nacional Bolivariana (PNB), marcando uma mudança significativa na estrutura de policiamento do país.




