A recente confirmação de que Neymar sofreu uma lesão de grau 2 na panturrilha da perna direita, com um tempo de recuperação estimado em até três semanas, evidencia uma contradição significativa do treinador Carlo Ancelotti. Desde que assumiu a seleção, Ancelotti foi perguntado repetidamente sobre a possibilidade de convocar o jogador, mas, em dez oportunidades, optou por não chamá-lo. O técnico sempre defendeu que Neymar só seria convocado caso estivesse 100% recuperado fisicamente, mas a realidade atual mostra que o atleta ainda está longe desse estado ideal.
As expectativas em torno do retorno de Neymar são incertas. Existe a possibilidade de que ele consiga se recuperar a tempo do início da Copa do Mundo, marcada para o dia 13 de junho, quando o Brasil enfrentará o Marrocos, mas até lá, a seleção contará com apenas 25 jogadores à disposição. Esse cenário não é o ideal, e a história das Copas revela que situações semelhantes já ocorreram. Um exemplo é o caso de Zico em 1986, quando ele foi convocado por Telê Santana mesmo com um joelho comprometido. Zico chegou a participar de um amistoso contra o Chile, mas sua condição se agravou e ele considerou não ir ao México.
Zico declarou que não deveria ter participado daquele Mundial, refletindo sobre a pressão que atletas enfrentam para estar presentes em competições importantes, mesmo quando não estão em condições ideais. Apesar de sua grandeza como jogador, a necessidade de Neymar na seleção atual pode ser questionada, dado o cenário atual.
Para compreender a posição de Ancelotti, é importante considerar sua trajetória. No livro "O Sonho – Quebrando o Recorde de Vitórias da Champions League", ele relata sua contratação pelo Milan em 1987, quando enfrentou diversas lesões nos joelhos. Na ocasião, o médico do clube expressou preocupações sobre sua condição física, destacando que ele havia ficado com 20% menos de mobilidade após as operações. Apesar disso, o treinador Arrigo Sacchi defendeu sua contratação, afirmando que a inteligência do jogador era mais importante que sua mobilidade física.
Essa filosofia parece ter influenciado a abordagem de Ancelotti em relação a Neymar. O treinador mostrou-se animado ao ver o craque chegar de helicóptero na Granja Comary, mas logo depois, exames de imagem revelaram a realidade da lesão. A situação atual levanta questões sobre a adequação das escolhas feitas pelo técnico e sobre a pressão que os jogadores enfrentam em busca de representatividade em momentos decisivos como a Copa do Mundo.




