A camisa da Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (SIFBA) se destaca não apenas por seu design, mas também por sua mensagem profunda. Com um tom verde intenso e detalhes em dourado, a peça foi lançada em uma edição limitada de 1.500 unidades, ressaltando a importância da memória e da identidade indígena. Nas costas da camisa, a frase "A camisa de quem sempre esteve aqui" sintetiza o propósito da criação, que vai além das questões mercadológicas.
O projeto que resultou na nova camisa é fruto de uma parceria com a plataforma de e-commerce Uma Penca. Esta colaboração une elementos de tecnologia, moda esportiva e cultura indígena em um momento em que os uniformes de futebol estão ganhando relevância fora dos estádios, se inserindo em contextos como ruas, passarelas e discussões sociais.
A história da SIFBA remonta a 2018, embora suas origens estejam entrelaçadas a eventos que ocorreram nas décadas anteriores. Durante os anos 1980, sob a ditadura militar, muitos jovens indígenas foram enviados para internatos em Brasília, onde a Funai buscava eliminar tradições, idiomas e costumes. O futebol, por exemplo, foi uma das atividades proibidas. Após o fim desse programa, alguns desses jovens permaneceram na capital e fundaram o Kurumin, o primeiro time de indígenas no Brasil, formado por atletas de diversas etnias.
Com o passar dos anos, o que começou como uma forma de resistência se transformou em uma estrutura formalizada, dando origem à seleção. Matheus Terena, fundador e presidente da SIFBA, tem utilizado o futebol como uma ferramenta para promover a afirmação cultural tanto dentro quanto fora dos campos. A nova camisa representa essa dualidade, sendo ao mesmo tempo uma peça esportiva e um símbolo político, refletindo a luta por reconhecimento e espaço.
Produzida com tecido dry fit e proteção UV, a camisa também é desenvolvida com tecnologia antiodor e possui uma versão cruelty free com certificação PETA. Essa abordagem está em sintonia com uma geração que exige mais responsabilidade social das marcas. Por isso, a Uma Penca tem se concentrado em projetos que promovem impacto social, sustentabilidade e valorização cultural.
O futebol, frequentemente visto apenas como uma forma de entretenimento, continua a ser uma linguagem universal no Brasil. A camisa da Seleção Indígena evoca sentimentos de pertencimento, orgulho e uma narrativa coletiva forte, reforçando que, antes de qualquer estrutura organizacional do esporte, havia pessoas jogando bola neste território. Assim, a nova peça não apenas homenageia o passado, mas também reafirma a presença e a luta contínua dos povos indígenas no cenário esportivo.




