A Justiça Federal de Campo Grande determinou a alienação antecipada de um imóvel localizado em Dourados, de propriedade de Hermógenes Aparecido Mendes Filho. O açougueiro, alvo da Polícia Federal na Operação Sanctus, transformou-se em um empresário de destaque na região, conhecido por seu estilo de vida ostentoso.
A 5ª Vara Federal autorizou o leilão do imóvel situado no Parque Nova Dourados, onde funcionava uma de suas empresas. Hermógenes Aparecido foi sentenciado a 14 anos e dois meses de prisão em regime fechado, sendo responsabilizado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença judicial reconheceu que o imóvel é originário de atividades ilícitas.
De acordo com a decisão da Justiça, o imóvel está desocupado e acumula dívidas tributárias. A alienação antecipada do bem é considerada uma medida que atende tanto ao interesse público quanto ao particular, uma vez que a venda será realizada por um valor compatível com o mercado. O montante obtido será depositado em conta judicial, com atualização monetária, e liberado posteriormente ao legítimo proprietário ou à União, em caso de perdimento.
Hermógenes Aparecido adquiriu o imóvel em 2010 e, treze anos depois, em 2023, a Justiça declarou a indisponibilidade do bem. Natural de Coronel Sapucaia, cidade adjacente a Capitán Bado, no Paraguai, ele se estabeleceu no bairro Izidro Pedroso, onde começou seu negócio de açougue. Com o tempo, sua fortuna cresceu, mas sua vida discreta mudou ao se expor nas redes sociais.
Nos últimos anos, Hermógenes Aparecido passou a compartilhar sua vida no Tik Tok, onde publicou vídeos sobre a criação de gado e passeios em sua fazenda Beira Rio, localizada em Feliz Natal, Mato Grosso. Seu patrimônio inclui ainda a fazenda São Pedro, o Sítio Coqueiro, que possui 34,6 hectares, uma aeronave, três caminhões e um rebanho de 2.180 cabeças de gado de corte.
A Polícia Federal também apontou Hermógenes Aparecido como um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho no Paraguai. As investigações da Operação Sanctus, deflagrada em 8 de dezembro de 2023, revelaram que a organização utilizava colchões para ocultar cocaína destinada ao exterior. A droga era transportada da fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul em pneus de caminhões e descarregada em um galpão em Maricá, no Rio de Janeiro, antes de ser embalada nos colchões para exportação.




