Novos clones de eucalipto, que foram desenvolvidos para serem mais resistentes à seca e às principais doenças florestais, iniciam sua produção em escala comercial em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do Brasil. Essa inovação é resultado de nove anos de pesquisa e envolve um investimento total de aproximadamente R$ 27 milhões. O lançamento dos clones ocorre em um contexto de eventos climáticos extremos, que intensificam os períodos de estiagem, especialmente devido às mudanças climáticas e ao El Niño.
O plantio dos novos clones é liderado por empresas como Eldorado, Suzano e Bracell/MS Florestal, que tem priorizado o desenvolvimento de materiais genéticos adaptados às condições climáticas adversas. Os especialistas envolvidos no projeto afirmam que a nova variedade de eucalipto poderá aumentar a produtividade média das florestas em cerca de 20%, mesmo durante longos períodos de seca. Para chegar a essa seleção, foram avaliados 240 clones, resultando em 14 variedades que se destacaram no primeiro ciclo de plantio comercial.
Esse projeto estratégico, que teve início em 2017, conta com a participação de 15 empresas do setor de papel, celulose e florestas. A pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e da Sociedade de Investigações Florestais (SIF), entidade vinculada à universidade. A Embrapii, organização federal que promove a inovação tecnológica na indústria, também está envolvida, financiando 50% do investimento com recursos não reembolsáveis, enquanto as empresas arcaram com a outra metade.
Além das já mencionadas Eldorado, Suzano e Bracell/MS Florestal, o projeto reúne outras companhias relevantes como ArcelorMittal, Klabin e Gerdau. Sob a liderança do cientista Gleison Augusto dos Santos, diretor da Unidade Embrapii Fibras Florestais da UFV, as pesquisas focam na criação de clones que não apenas suportem a seca, mas também ofereçam madeira de melhor qualidade.
A introdução desses novos clones surge em um momento em que o setor florestal de Mato Grosso do Sul tem buscado aumentar sua produtividade, impulsionado por investimentos significativos nos últimos anos. A Suzano, por exemplo, inaugurou em Ribas do Rio Pardo a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, com capacidade para produzir 2,55 milhões de toneladas anuais e investimentos de R$ 22 bilhões. A Bracell está desenvolvendo um projeto de R$ 25 bilhões em Bataguassu, com conclusão prevista para 2028. Já a Eldorado planeja expandir sua unidade em Três Lagoas até 2030, com investimentos estimados também em R$ 25 bilhões, conforme o Panorama Econômico da Fiems.
Até o fechamento desta edição, tentativas de contato com Eldorado, Suzano e Bracell/MS Florestal não resultaram em resposta.




