A Polícia Federal (PF) está planejando trazer Gerson Palermo, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), de volta ao Brasil ainda nesta semana, após sua prisão na Bolívia na manhã de 26 de setembro. Embora a expectativa seja de que ele chegue ao território brasileiro em 27 de setembro, a realização desse processo enfrenta dificuldades devido a protestos que ocorrem no país vizinho.
Os Protestos na Bolívia têm gerado complicações logísticas para as forças de segurança brasileiras, atrasando a transferência de Palermo, que estava foragido desde 2020. Naquele ano, ele havia recebido o benefício de prisão domiciliar, utilizando uma tornozeleira eletrônica, mas acabou fugindo. Ao retornar ao Brasil, Gerson Palermo deverá ser enviado para a penitenciária federal localizada em Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul.
Em operações internacionais, a PF atua em parceria com as autoridades do país onde o foragido é localizado, prestando apoio técnico e compartilhando informações. A prisão é formalmente realizada pelas autoridades locais, o que significa que a PF não pode agir sozinha fora de seu território.
Na mesma semana, a PF finalizou uma investigação relacionada à fuga de Palermo, que envolve suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com a participação do desembargador Divoncir Maran, do Mato Grosso do Sul. Maran, que havia concedido a soltura de Palermo em 2020, é alvo de investigações e foi punido com aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março deste ano.
Gerson Palermo foi condenado a quase 126 anos de prisão e é um dos principais líderes do PCC. Seu histórico criminal inclui o sequestro de um avião da antiga Vasp em agosto de 2000, quando um Boeing 727 foi sequestrado ao sair do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu em direção a Curitiba. Em 2020, a concessão de prisão domiciliar a Palermo ocorreu durante a pandemia de Covid-19, sob a alegação de problemas de saúde, embora o CNJ tenha apontado a falta de um laudo médico que comprovasse essa condição.
A situação do desembargador Maran está sendo analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que nesta semana discute a possibilidade de revogar a aposentadoria compulsória como punição para magistrados. A Primeira Turma da Corte está revisando esse tema, que poderá trazer novas diretrizes sobre a responsabilização de juízes por infrações graves. Nesse contexto, a defesa do desembargador ainda poderá se manifestar sobre as acusações que pesam contra ele.




