O processo de inventário da ex-vereadora de Ribas do Rio Pardo, Magnólia Fogaça Marques, foi interrompido pela Justiça seis dias antes do assassinato de sua filha, Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos. O crime, que ocorreu dia 29 de junho, foi perpetrado com 14 facadas dentro da residência da vítima. A decisão de suspender o inventário foi tomada em 23 de junho, a pedido de Maria José e de sua irmã, Maria Jeni de Oliveira Gois, que buscavam o reconhecimento da maternidade socioafetiva em relação a Magnólia.
A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta que a motivação do assassinato pode estar ligada a uma disputa pela herança deixada por Magnólia, avaliada em R$ 371 mil. Rogério Nascimento da Silva, suspeito de cometer o homicídio, confessou o crime e afirmou ter agido a mando de Fábio Santos Fogaça, sobrinho da vítima, que também foi preso. A ação para reconhecimento da maternidade socioafetiva foi proposta em setembro do ano passado, argumentando que ambas foram criadas por Magnólia, apesar de nunca terem sido adotadas formalmente.
Maria José começou a viver com Magnólia aos dois anos, em 1957, recebendo dela abrigo, apoio financeiro e cuidados. Durante 67 anos, manteve uma relação pública e duradoura com a ex-vereadora. Por sua vez, Maria Jeni chegou a Ribas do Rio Pardo ainda criança, e em 1984 passou a viver com Magnólia após a obtenção de guarda provisória, que se tornou definitiva com o consentimento dos pais biológicos.
As duas filhas alegaram à Justiça que já existia uma ação declaratória de maternidade socioafetiva post mortem em andamento e sustentaram que, se o pedido fosse aceito, teriam direito à herança em igualdade com os demais herdeiros. A situação se complicou quando, no dia 5 de julho, Rogério Nascimento da Silva confessou o homicídio durante uma negociação com a polícia, enquanto mantinha uma atendente de restaurante refém em Campo Grande. Durante a negociação, ele declarou que cometeu o crime a pedido de Fábio Santos Fogaça, que lhe teria feito uma promessa.
Rogério mencionou que, antes do assassinato, consumiu bebida alcoólica e cocaína fornecidas pelo suposto mandante. A Polícia Civil está tratando o caso como homicídio qualificado e considera a disputa pela herança como a principal motivação para o crime. Fábio Santos Fogaça, de 45 anos, foi preso preventivamente na manhã do dia 6 de julho, após a coleta de depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança que fundamentaram o pedido de prisão, que foi deferido pela Justiça. As investigações contaram com o apoio do Grupo de Operações e Investigações (GOI) e da Delegacia Especializada de Repressão aos Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).




