Ofensiva integrada das forças de segurança revelou a escalada silenciosa de facções criminosas que tentam fincar bases em Mato Grosso do Sul. A operação Leviatã, realizada na segunda-feira (27), em Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande, mobilizou cerca de 60 policiais e resultou no cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão contra integrantes diretamente ligados a organizações criminosas. Um carro roubado em São Paulo também foi apreendido.
A operação foi coordenada pelo Garras, com apoio de policiais civis de Coxim, São Gabriel do Oeste, Camapuã, Pedro Gomes e Rio Verde de Mato Grosso, além da Polícia Militar, da Polícia Civil e da CGPA. A ação foi definida pela cúpula da segurança pública como resposta direta à tentativa de expansão de grupos criminosos vindos principalmente do Mato Grosso.
A região norte do Estado, especialmente Coxim, tornou-se ponto crítico após semanas de monitoramento e troca de informações entre unidades. As investigações indicam que os alvos fazem parte de facções que migraram para o Estado com o objetivo de dominar território e impor controle social. O impacto já é visível. Mortes, sensação de caos e aumento do medo coletivo aparecem como consequência dessa disputa.
Segundo o delegado Hoffman D’avilla, titular do Garras, a movimentação das facções não é recente. “Há cerca de seis meses esses grupos tentam se infiltrar no Estado, aproveitando a posição estratégica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia, rotas importantes para o tráfico internacional”, afirmou.
O cenário se agrava com o conflito entre facções rivais. Entre elas, o CV, que, de acordo com a investigação, disputa espaço com outros grupos para facilitar a atuação criminosa”, pontuou o delegado. Em uma dessas ações, a polícia localizou um imóvel ligado aos suspeitos. No local, havia roupas compatíveis com as dos autores dos crimes. A polícia também encontrou um veículo Chevrolet Prisma, roubado em São Paulo e empregado pelo grupo, inclusive nas duas tentativas recentes de homicídio em Coxim.
A equipe apreendeu o material, que será analisado. A engrenagem criminosa segue um modelo organizado. Há divisão de tarefas, planejamento prévio e uso de intimidação como ferramenta de expansão. A escolha pelo norte do Estado não é casual. A proximidade com Mato Grosso e Goiás facilita deslocamentos e fortalece rotas ilícitas.




