A Presidência da República e o governo municipal do Rio de Janeiro desmentiram qualquer participação na escolha do enredo apresentado pela escola de samba Acadêmicos de Niterói, durante o desfile do último domingo na Marquês de Sapucaí. O enredo, intitulado Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, reconstruiu a vida do presidente, desde os tempos em Garanhuns até sua carreira sindical e política, culminando na sua eleição e posterior prisão.
Foram destacados no desfile episódios como a passagem de Michel Temer assumindo a faixa presidencial em 2016 e um palhaço, identificado como Bozo, simbolizando a gestão de Jair Bolsonaro. Também foi mostrada a volta de Lula ao Planalto e a prisão do palhaço acompanhada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, além de referências a programas sociais do governo petista.
Antes do desfile, o governo federal afirmou não ter interferido e destacou que não havia decisão judicial que proibisse a apresentação. O Executivo reforçou que a orientação da Comissão de Ética da Presidência busca evitar conflitos de interesse, recebimento de diárias, passagens pagas por pessoas jurídicas e propaganda eleitoral antecipada, mas nada disso ocorreu no evento.
Parlamentares e partidos de oposição anunciaram ao menos 12 ações judiciais para contestar o desfile, sob acusação de propaganda eleitoral, abuso de poder e até alegações de preconceito religioso contra evangélicos retratados no enredo. Lula assistiu ao desfile diretamente da Sapucaí, em camarote compartilhado com o prefeito Eduardo Paes e aliados.




