Uma reportagem recente do Financial Times revelou que a OpenAI, responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT, está em negociações para ceder 5% de sua participação acionária ao governo dos Estados Unidos. Essa possível transação se insere em uma política mais ampla implementada pela administração de Donald Trump, que iniciou em janeiro de 2025, visando aumentar a presença do governo no capital de diversas empresas.
Desde o ano passado, o governo americano anunciou investimentos que totalizam US$ 26,7 bilhões, distribuídos em cerca de 30 acordos que incluem a participação direta no capital de empresas. Essa nova abordagem amplia as ferramentas disponíveis ao governo, que antes se concentravam em subsídios, empréstimos e incentivos fiscais, conforme apontou um relatório do Council on Foreign Relations (CFR).
Os acordos firmados incluem 17 anunciados pelo Departamento de Comércio, seis pela Development Finance Corporation, sete pelo Departamento da Guerra e dois pelo Departamento de Energia. O foco dessa estratégia tem sido em setores considerados estratégicos para a segurança econômica e nacional dos EUA.
O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) destacou que o governo americano já possui ações em empresas de grande relevância, como a U.S. Steel, que possui uma “golden share” que confere direitos especiais de governança ao presidente. Além disso, o governo detém 9,9% da Intel e 10% da USA Rare Earth, que recentemente adquiriu a Serra Verde, a única produtora de terras raras em larga escala no Brasil, por US$ 2,8 bilhões.
Localizada em Goiás, a Serra Verde é a única mina de argilas iônicas em operação fora da Ásia e deverá ser responsável por mais da metade da oferta global de terras raras pesadas fora da China até 2027, conforme informações da empresa compradora. Essa transação destaca a crescente interdependência entre os mercados americano e brasileiro em setores estratégicos.
O relatório do CSIS também mencionou que, embora o governo não tenha adquirido participações na Nvidia ou na fabricante de chips AMD, ele consegue monetizar o acesso ao mercado por meio de licenças de exportação. Essa prática se aproxima mais de um tributo sobre exportação do que de uma participação acionária tradicional.




