O Governo Federal do Brasil se manifestou nesta terça-feira (4) em relação ao cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti nos Estados Unidos, afirmando que as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado americano são "falsas". Em nota, o governo brasileiro destacou que as duas razões citadas são incorretas e que o processo de concessão de agrément é confidencial, devendo o nome da embaixadora ser divulgado apenas após a anuência, conforme estipulado no artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.
A informação sobre o cancelamento do visto foi compartilhada por um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA durante uma conversa reservada com a imprensa. De acordo com essa autoridade, a decisão foi motivada pela demora do governo brasileiro em conceder o agrément, que é a autorização diplomática necessária para a posse de Daniel Perez, indicado pelo ex-presidente Donald Trump para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O governo brasileiro, em sua nota, argumentou que respeita rigorosamente o direito internacional e que não existe na Convenção de Viena qualquer norma que estabeleça um prazo para a concessão do agrément. A nota afirma que o pedido feito pelos Estados Unidos ainda está em análise.
Além disso, o governo do Brasil denunciou que o cancelamento do visto de Viotti representa uma tentativa dos EUA de interferir nas eleições brasileiras programadas para outubro. A nota menciona que dois funcionários do governo norte-americano tiveram seus vistos negados, pois planejavam visitar o Brasil com o intuito de questionar a integridade do sistema eleitoral do país, o que é considerado uma tentativa inaceitável de interferência no processo político nacional.
Por fim, o governo brasileiro ressaltou que a decisão sobre o visto não é um acontecimento isolado, mas parte de uma série de ações hostis deliberadas em relação ao Brasil, motivadas por razões ideológicas que não estão em sintonia com a parceria bilateral, que sempre foi baseada no respeito mútuo. A nota conclui afirmando que é evidente o interesse impróprio em interferir nas próximas eleições presidenciais do Brasil.




