O Festival Bonito Cinesur, realizado na cidade de Bonito, encerrou sua edição no último sábado, 1º de agosto, com a premiação do filme paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? como o grande vencedor na categoria de melhor longa sul-americano. A cerimônia ocorreu no Centro de Convenções e contou com a presença de diversos cineastas e entusiastas do cinema.
Dirigido por Marcelo Martinessi, o filme é baseado no livro Narciso, escrito pelo jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá. A narrativa centra-se no assassinato de Bernardo Aranda, um locutor de rádio homossexual que foi brutalmente queimado em 1959. O crime permanece sem solução, mas a Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai acredita que ele pode ter sido orquestrado pelo governo militar da época.
Durante a ditadura, sob o comando do general Alfredo Stroessner, o Paraguai vivenciou um dos períodos mais sombrios de sua história, com quase 20 mil prisões arbitrárias, 59 execuções e 336 desaparecimentos, além de 19 mil pessoas torturadas ao longo de 35 anos de regime. A Comissão também apontou que 3.470 indivíduos foram forçados ao exílio, com grupos LGBT+ sendo especialmente vulneráveis a essas violações.
O ator Diro Romero, que interpreta Narciso no filme, expressou sua satisfação com a conquista do prêmio, afirmando que isso representa um fechamento significativo para a obra. Ele reforçou a importância de continuar a contar essas histórias, ressaltando que o cinema tem um papel crucial na preservação da memória histórica. "Precisamos mostrar essas narrativas ao mundo", disse.
Em uma entrevista após a premiação, o ator destacou a necessidade de lembrar as ditaduras da América do Sul para evitar que se repitam. Ele alertou sobre os sinais atuais que indicam que os resquícios da ditadura ainda podem estar presentes na sociedade. Romero enfatizou que, por meio do cinema, é vital colaborar com os ministérios da Cultura e outras organizações para fomentar programas que permitam um maior intercâmbio cultural entre os países da região.
O festival também premiou outros trabalhos notáveis, como o filme Natasha, que foi escolhido como melhor longa sul-mato-grossense pelo júri oficial. Na categoria de melhor curta de cinema ambiental, o filme Buen Vivir – Ñutse Canseye, do Equador, foi o escolhido pelo júri popular, enquanto Hipopótamos, el Arca de Escobar, da Colômbia, recebeu a aprovação do júri oficial. Na seção de longa de cinema ambiental, Páramos II: El Origen, da Colômbia, foi premiado em ambas as categorias, popular e oficial.




