A Feira Literária de Bonito (FLIB) celebra 10 anos de atividades com o objetivo de aproximar os jovens da literatura, incentivando a leitura em um mundo dominado por telas e dispositivos digitais. O evento ocorre na Praça da Liberdade, localizada a 297 quilômetros de Campo Grande, onde o produtor Carlos Porto e a curadora Maria Adélia Menegazzo discutiram, na última quarta-feira (8), os desafios de formar novos leitores em um contexto onde a tecnologia é cada vez mais presente.
Maria Adélia Menegazzo destacou que não considera a tecnologia uma adversária, ressaltando que cada geração possui suas próprias distrações, que evoluíram do rádio para a televisão e, posteriormente, para os serviços de streaming. Para ela, a diferença reside na atenção exigida pela leitura. "Essa geração tem que ser mais cuidada. Você tem que chamar mais essa geração para a literatura, para fazer essa desaceleração", afirmou.
Neste ano, a programação da FLIB conta com a presença de diversos autores renomados, como Sérgio Vaz, Daniel Munduruku, Mariana Carrara, Marcílio França Castro, Pedro Bial e Joel Pizzini. Um exemplo de interação entre leitores e escritores é o Clube de Livros de Bonito, que leu obras de Mariana Carrara e propôs a participação da autora no evento.
Além disso, a feira promove uma reunião de clubes de leitura de Mato Grosso do Sul e oferece uma oficina voltada para mediadores de leitura. Maria Adélia enfatizou a importância da escuta ativa nas interações entre autores e leitores: "Interessa que você está falando e alguém está escutando".
A FLIB também incentiva o contato direto dos jovens com os livros, distribuindo vales de R$ 30 para 600 crianças, permitindo que escolham obras nas livrarias e editoras presentes na feira. Carlos Porto destacou a relevância desse contato, afirmando que para formar o leitor, é essencial que ele tenha acesso ao livro como objeto.
O evento se destaca por sua capacidade de atrair visitantes de várias cidades, incluindo Dourados e Corumbá, além de Campo Grande, e ainda conta com 19 lançamentos independentes nesta edição. Carlos ressaltou que a quantidade de público não é um fator que determina a importância do ato de lançar um livro, enfatizando que cada oportunidade é valiosa.




