Alice Yura inaugurou a exposição "Um ato fotográfico" na Pinacoteca de São Paulo, onde passou a maior parte do tempo no estúdio criado para a interação com o público, sendo fotografada por visitantes. A artista, natural de Campo Grande, relembra que a Pinacoteca foi uma das primeiras instituições de arte que conheceu em sua juventude. Durante a visita, quando ainda era estudante, viu um trabalho de Humberto Espíndola e ficou com a dúvida sobre quando teria a chance de expor em um espaço tão significativo. Em abril de 2021, essa pergunta ganhou resposta com a sua exposição individual, a primeira de um artista de Mato Grosso do Sul na Pinacoteca, com curadoria de Thierry Freitas.
A mostra, que ocupa a Galeria Praça do edifício Pina Contemporânea até 13 de setembro, tem atraído a atenção do público por conta de um estúdio fotográfico montado no espaço, completo com refletores e luz profissional, aberto a todos os visitantes. Alice explica que a ideia do estúdio surgiu do desejo de permitir que o público não apenas observasse, mas também interagisse de forma ativa com a arte. Ela destaca a importância social e política dos estúdios fotográficos, questionando quem tem acesso a esse tipo de espaço.
A Pinacoteca oferece entrada gratuita aos sábados, o que tem atraído um grande número de pessoas, muitas das quais nunca tiveram a oportunidade de fazer uma sessão de fotos em estúdio profissional. Para Alice, essa iniciativa é uma forma de democratizar o acesso à fotografia e à arte. Ela observa que o estúdio da exposição se diferencia de outras instalações fotográficas contemporâneas, pois carrega uma memória coletiva que impacta a postura e o comportamento dos visitantes durante a experiência.
Durante a abertura da exposição, por exemplo, uma família inteira se reuniu para registrar um momento especial. Para Alice, a ritualização da fotografia é um aspecto crucial que não deve ser ignorado. Ela menciona que, enquanto artista, está envolvida em várias etapas do processo criativo, incluindo a seleção, a narrativa e a cenografia, algo que, segundo ela, ainda precisa ser mais desenvolvido em Mato Grosso do Sul.
Alice Yura também compartilha sua trajetória, que inclui desafios como a perda de um edital devido a um erro no nome. Sua carreira ganhou impulso em 2019, quando conquistou uma bolsa de residência no Instituto Pivô, em São Paulo, voltada para artistas de fora do eixo Rio-São Paulo. Apesar da pandemia ter interrompido seu trabalho, ela manteve uma conexão com São Paulo, retornando em 2021 para atuar como educadora. Desde então, tem se dividido entre as duas cidades, mas ressalta a importância de não perder suas raízes.
"O sistema de arte de São Paulo, embora ofereça oportunidades, pode levar a uma desconexão com a origem do artista", reflete. Alice busca manter sua identidade e autenticidade, evitando que seu trabalho se dilua em um novo contexto artístico.




