O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, está direcionando esforços para aumentar os investimentos em projetos de desenvolvimento econômico na América Latina. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia de cooperação que se alinha aos interesses de segurança nacional dos EUA, com o intuito de mitigar a influência crescente de China e Rússia na região.
De acordo com Thomas R. Hardy, diretor de Operações da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA (USTDA), a Casa Branca tem observado um engajamento mais próximo entre os governos e o setor privado dos países latino-americanos, que buscam estreitar laços com os Estados Unidos. Hardy destacou que o programa da USTDA na América Latina deve crescer significativamente, após anos de desenvolvimento lento. Ele mencionou que a equipe da agência foi reorganizada e reforçada para enfatizar a importância do Hemisfério Ocidental.
Um dos primeiros compromissos firmados pela USTDA envolve um acordo com o recém-eleito presidente de Honduras, Nasry Asfura, visando acelerar o desenvolvimento de um corredor logístico interoceânico. Este projeto, que conecta o Mar do Caribe ao Oceano Pacífico, inclui a construção de uma ferrovia interoceânica, a modernização de portos e a integração com rodovias de alta capacidade, com um investimento estimado entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
Além disso, a demanda por energia nuclear de uso civil tem crescido entre os americanos na região, impulsionada pela necessidade de construir data centers de inteligência artificial e garantir a segurança energética. Recentemente, o governo argentino anunciou a construção de um reator nuclear modular em Atucha, que contará com capital americano para seu desenvolvimento.
Enquanto isso, a Rússia também está focando na América Latina, especialmente no Brasil, por meio da estatal Rosatom. O país vê no Brasil uma oportunidade de acesso a tecnologias, mercados e segurança que a China ainda não consegue oferecer. A nova Estratégia Nacional de Segurança (ENS) de Trump, publicada em dezembro, reforça a relevância da América Latina nas prioridades estratégicas de Washington.
A proposta de novos investimentos na região também reflete o interesse dos EUA em acessar minerais críticos, energia e cadeias de suprimento desses países. Em fevereiro, o governo americano estabeleceu um acordo com a Argentina para o fornecimento e processamento de minerais críticos, enquanto o Brasil, conhecido por seu potencial em terras raras, está se tornando um alvo estratégico, apesar da resistência do governo Lula (PT) em firmar parcerias nesse setor.




