Nesta quarta-feira (17), os presidentes dos Estados Unidos e do Irã, Donald Trump e Masoud Pezeshkian, respectivamente, assinaram um acordo conhecido como Memorando de Islamabad. A cerimônia ocorreu no Palácio de Versalhes, na França. O documento estabelece diretrizes para a resolução de conflitos que perduram há décadas, incluindo o encerramento da guerra iniciada em 28 de fevereiro.
O memorando contém medidas imediatas, como a cessação dos combates, a desobstrução do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos. Além disso, as duas nações concordaram em negociar um acordo final em até 60 dias, podendo este prazo ser prorrogado por mútuo consentimento.
Um dos pontos centrais do acordo é a reafirmação do Irã de que não buscará desenvolver armas nucleares. O texto também menciona que os EUA e o Irã devem chegar a um entendimento sobre o descarte de material enriquecido, seguindo um cronograma acordado, com a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
O memorandum ainda prevê discussões sobre o enriquecimento de urânio e outras questões nucleares que sejam de interesse da República Islâmica do Irã. Durante uma cúpula do G7 na França, Trump expressou otimismo em relação às negociações, afirmando que o acordo alcançado deve ter sucesso e que a próxima fase será ainda mais tranquila.
Entretanto, a eficácia do acordo é questionada, uma vez que as divergências entre os EUA e o Irã persistem há décadas. A preocupação com as ambições nucleares do Irã é uma preocupação que remonta a 1982, quando o regime dos aiatolás começou a se consolidar após a Revolução Iraniana de 1979. O governo israelense, que se opõe ao programa nuclear iraniano, já manifestou que não se considera vinculado ao memorando, o que pode gerar novas tensões na região.
Especialistas destacam que, embora o acordo tenha sido assinado, sua natureza é limitada e simbólica. As ações de Israel contra o Hezbollah no Líbano, por exemplo, podem continuar independentemente do que foi acordado entre EUA e Irã. A fragilidade do acordo é um indicativo de que sua plena efetividade pode não ser o principal objetivo de Trump, que busca uma saída estratégica para evitar danos a seu mandato.




