Um estudo científico recente destacou a imensa riqueza biológica encontrada nos bancos de rodolitos da costa brasileira, sugerindo a existência de 450 novas espécies. A pesquisa foi publicada na revista Biological Conservation e utilizou a técnica de metabarcoding de DNA, que possibilita a identificação de diversas espécies em uma única amostra.
Os pesquisadores identificaram que os ecossistemas de algas calcárias funcionam como verdadeiros hotspots de biodiversidade, abrigando uma grande variedade de invertebrados e macroalgas, superando as estimativas anteriores de diversidade marinha. O biólogo marinho Guilherme Pereira-Filho, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), afirmou que esses bancos de algas têm uma diversidade muito maior do que a atualmente reconhecida.
Essas estruturas de algas calcárias estão presentes em diferentes partes do mundo, desde águas tropicais até polares, e são consideradas fundamentais para a vida marinha global. Devido à sua magnitude e relevância ecológica, esses habitats têm sido comparados à importância da Floresta Amazônica, levando ao uso do termo "Amazônica Rosa" no contexto do estudo.
O metabarcoding de DNA é uma técnica avançada que atua como um "leitor de código de barras" para a biologia, permitindo a identificação simultânea de centenas ou milhares de espécies a partir de uma única amostra de água, solo ou sedimento. O estudo trouxe dados significativos sobre a biodiversidade marinha do Brasil, incluindo a identificação de mais de 450 possíveis novas espécies, com destaque para as macroalgas.
Além disso, foram recuperadas mais de 1.800 Variantes de Sequência Exatas (ESVs) entre macroalgas e invertebrados, e identificados 21 novos registros potenciais de espécies para o Atlântico Sul Ocidental. Estima-se que entre 0,2% e 1% de todas as espécies marinhas conhecidas ocorram nas áreas cobertas por rodolitos na costa brasileira.
Os autores do estudo ressaltam que a biodiversidade local ainda está subestimada, em grande parte devido à falta de dados genéticos de referência para os táxons marinhos brasileiros. Essa realidade evidencia a necessidade urgente de investimentos em ciência e catalogação da biodiversidade no país.




