O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) divulgou um parecer técnico que identifica áreas contínuas de plantio de eucalipto, com trechos que se estendem por até 20 quilômetros sem a presença de corredores ecológicos. Esse cenário, segundo o estudo, compromete a conectividade entre remanescentes de vegetação nativa, dificultando o deslocamento da fauna e aumentando a fragmentação dos habitats.
A pesquisa foi realizada pelo Núcleo de Geotecnologias (Nugeo), parte do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma). O parecer foi elaborado no contexto de um Inquérito Civil (06.2026.00000708-0) instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Lagoas, que visa investigar os potenciais impactos ambientais decorrentes da expansão da silvicultura em Mato Grosso do Sul.
Os técnicos que realizaram a análise enfatizam que o crescimento da silvicultura requer um planejamento territorial mais rigoroso para garantir a conectividade ecológica entre os fragmentos florestais. O documento destaca a importância de instrumentos previstos na legislação ambiental, como as Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e corredores ecológicos, para mitigar o isolamento da vegetação e permitir a movimentação da fauna.
Apesar das preocupações com a fragmentação da paisagem, o parecer conclui que a expansão da silvicultura ocorreu, em sua maioria, em áreas já antropizadas, como antigas pastagens. Entre 2016 e 2024, foram mapeados 5.907,70 hectares de silvicultura na área em análise, dos quais apenas 3,65% estão situados em APPs. Além disso, muitas dessas áreas de preservação já estavam degradadas antes da implementação da silvicultura, não recebendo recuperação ambiental.
Os especialistas ressaltam que a principal preocupação ambiental não diz respeito ao desmatamento em larga escala para a implantação da silvicultura, mas sim à configuração da paisagem formada por grandes blocos contínuos de eucalipto. A ausência de corredores ecológicos, que se estendem por até 20 quilômetros, prejudica a conectividade entre remanescentes de vegetação nativa e dificulta o fluxo de espécies, contribuindo para a fragmentação dos habitats.
Por fim, o parecer conclui que é necessária uma maior integração entre o planejamento territorial e a conservação ambiental, visando garantir a manutenção da conectividade ecológica entre os remanescentes florestais e minimizar os impactos sobre a biodiversidade.




