A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), junto com 13 entidades do setor pecuário brasileiro, divulgou um manifesto na última sexta-feira (10) em que critica a possibilidade de o Brasil adotar as exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Os representantes do setor argumentam que as regras impostas pela Europa deveriam ser aplicáveis apenas aos produtores que desejam exportar para o bloco, e não a toda a cadeia produtiva nacional.
O posicionamento das entidades ocorre após o Ministério da Agricultura implementar alterações nas normas de controle para frigoríficos e estabelecimentos autorizados a exportar carnes e seus derivados para a União Europeia. Essas modificações visam atender às exigências do bloco europeu e evitar a suspensão das exportações brasileiras, que está prevista para entrar em vigor a partir de 3 de setembro. Entre as novas diretrizes, destaca-se a obrigatoriedade de controles auditáveis que comprovem que os animais destinados ao mercado europeu não receberam antimicrobianos proibidos pela legislação europeia.
Além disso, as empresas envolvidas na cadeia produtiva deverão melhorar a rastreabilidade dos animais e manter documentação detalhada sobre a origem dos produtos e os medicamentos utilizados durante a criação. As novas exigências são resultado de um conjunto de normas europeias que proíbem a importação de animais e produtos de origem animal obtidos com o uso de determinados antimicrobianos, especialmente os que estimulam o crescimento ou aumentam a produtividade, além de medicamentos considerados reservados para uso humano.
O objetivo dessas regulamentações é mitigar o risco de resistência antimicrobiana, um problema crescente em saúde pública. No entanto, as entidades que assinaram o manifesto esclarecem que não são contrárias ao cumprimento dessas exigências por parte dos produtores que desejam acessar o mercado europeu. O que contestam é a aplicação indiscriminada dessas regras a todos os produtores brasileiros, o que poderia acarretar custos, limitações e burocracias desnecessárias para aqueles que atendem ao mercado interno.
O manifesto foi assinado por diversas instituições, incluindo a Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), a Apron (Associação dos Pecuistas de Rondônia), a Unapec (União Nacional da Pecuária), a SRB (Sociedade Rural Brasileira) e a Assocon (Associação Nacional dos Confinadores). Também estão entre os signatários a Acripará (Associação dos Criadores do Pará), a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), a Abeg (Associação Brasileira dos Exportadores de Gado), a ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil), a ACNMT (Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso), a GPB (Associação Grupo Pecuária Brasil) e a MBPS (Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável).




