A partir da próxima segunda-feira (27), Dourados, localizada no sul de Mato Grosso do Sul, dará início à vacinação contra a chikungunya em todas as unidades de saúde do município. Esta ação é uma resposta ao aumento significativo da doença, que resultou em oito mortes confirmadas e milhares de casos na cidade. A vacinação faz parte do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, que visa a contenção da disseminação do vírus.
O público-alvo da campanha abrange pessoas com idades entre 18 e 59 anos e a vacina será oferecida em dose única. No entanto, a aplicação do imunizante requer uma avaliação prévia devido a contraindicações, o que pode tornar o processo mais demorado. A Secretaria Municipal de Saúde informa que essa triagem incluirá a análise de comorbidades e condições clínicas dos indivíduos antes da vacinação.
As doses da vacina começaram a ser entregues ao município na semana passada e já estão disponíveis em todas as salas de vacinação, incluindo aquelas que atendem às comunidades indígenas. Profissionais de enfermagem passaram por capacitação para garantir que a população receba orientações adequadas e que a aplicação do imunizante ocorra de forma correta. A meta é vacinar pelo menos 27% do público-alvo, o que corresponde a aproximadamente 43 mil pessoas.
Desenvolvida pela farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, a vacina foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025 e faz parte de um projeto-piloto do Ministério da Saúde, direcionado a municípios que apresentam alto risco de transmissão da doença. O cenário de chikungunya em Dourados é alarmante, com cerca de 5 mil casos prováveis, dos quais mais de 2 mil já foram confirmados, enquanto muitos outros permanecem sob investigação. A taxa de positividade da doença apresenta números elevados, variando entre 59% e 72% nos últimos 15 dias, o que indica uma intensa circulação do vírus na região.
Com a confirmação de oito mortes, sendo sete delas de moradores da Reserva Indígena, a situação levou as autoridades locais a declararem estado de calamidade em saúde pública, com validade de 90 dias. O sistema de saúde já se encontra sobrecarregado, operando acima da capacidade de leitos disponíveis. A chikungunya, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, causa febre alta e dores intensas nas articulações, podendo levar a complicações graves, incluindo problemas neurológicos.
Embora a vacina tenha mostrado eficácia, sua aplicação não é recomendada para gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados recentes, entre outros grupos específicos. Também não deve ser administrada em indivíduos que apresentaram febre grave recentemente, que tiveram chikungunya nos últimos 30 dias ou que tenham recebido outras vacinas em um curto espaço de tempo.




