A disputa entre republicanos e democratas nos tribunais dos EUA intensifica-se à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam. Essa guerra judicial, incentivada por Donald Trump, busca garantir a maioria no Congresso por meio de mudanças nos distritos eleitorais. As eleições, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos e são cruciais, pois renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, onde o sistema é proporcional, os deputados são eleitos em distritos. Os estados têm a capacidade de modificar os contornos dessas áreas, refletindo as mudanças populacionais. Contudo, essa prática pode ser manipulada para favorecer um partido, técnica que é chamada de gerrymandering. Isso ocorre através da divisão ou concentração de eleitores adversários, de modo a aumentar a força do partido dominante.
Existem duas táticas principais empregadas no gerrymandering: o 'empacotamento' e o 'fracionamento'. O empacotamento consiste em reunir o maior número possível de eleitores da oposição em um único distrito, o que resulta em votos 'desperdiçados'. Já o fracionamento visa dispersar os eleitores adversários em diversos distritos, garantindo que nunca consigam a maioria em nenhum deles, o que os impede de eleger representantes.
Aliados de Donald Trump têm alcançado sucessos significativos nessa batalha judicial. No Texas, por exemplo, a Suprema Corte ratificou um mapa que favorece os republicanos. Na Virgínia, a Justiça anulou um mapa que favorecia os democratas. Outros estados, como Flórida, Carolina do Norte, Ohio e Missouri, também revisaram seus mapas, o que pode resultar em até 20 cadeiras adicionais para o Partido Republicano na Câmara.
Apesar das conquistas dos republicanos no redesenho dos mapas eleitorais, as pesquisas mais recentes indicam um cenário de forte concorrência. Um levantamento da AtlasIntel sugere que, se as eleições fossem realizadas hoje, o Partido Democrata estaria em posição favorável. Analistas observam que a popularidade de Trump diminuiu, influenciada por fatores como o conflito no Irã e o aumento dos preços dos combustíveis, o que pode motivar uma maior participação dos eleitores democratas.




