A morte da adolescente Lívia, de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, provocou uma série de questionamentos sobre a atuação do Discord em relação à segurança de seus usuários. A plataforma revelou que desativou um servidor privado que supostamente incentivava a automutilação entre jovens, antes do falecimento da menina, ocorrido em 22 de junho. Esse episódio trouxe à tona a responsabilidade da empresa em garantir a proteção de crianças e adolescentes na internet.
Diante da situação, a Advocacia-Geral da União (AGU) requisitou esclarecimentos sobre os mecanismos que o Discord utiliza para proteger seus usuários mais jovens. O órgão federal solicitou que a plataforma apresente, até o final desta semana, propostas concretas para corrigir possíveis lacunas de segurança, visando evitar que crianças e adolescentes tenham acesso a conteúdos prejudiciais.
O Discord informou que o servidor relacionado ao caso de Lívia operava de forma privada, com acesso restrito apenas a convidados, e não era visível nas buscas realizadas por outros usuários. No entanto, a empresa não divulgou detalhes sobre quando o grupo foi identificado, quantas pessoas estavam envolvidas nem quais ações foram tomadas contra os usuários que participaram do servidor.
A repercussão do caso também levou a primeira-dama Janja Lula da Silva a se manifestar em favor do bloqueio do Discord no Brasil, destacando a necessidade de medidas mais rigorosas para proteger os jovens. A plataforma, por sua vez, garantiu que possui equipes dedicadas a identificar e desmantelar grupos que violam suas regras, além de colaborar com as autoridades brasileiras em investigações sobre crimes no ambiente virtual.
Em nota, o Discord reiterou seu compromisso com a segurança dos usuários, afirmando que está em contato com órgãos do governo, incluindo o Ministério da Justiça. A empresa destacou que não tolera grupos ou usuários que promovem práticas violentas e que está empenhada em remover conteúdos que vão contra suas políticas.
As exigências da AGU não se limitam somente ao caso específico da morte de Lívia. O órgão busca entender quais medidas o Discord adota para verificar a idade de seus usuários e identificar situações de vulnerabilidade, na tentativa de prevenir a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos nocivos. As solicitações também se relacionam às diretrizes do ECA Digital, que estabelece obrigações para plataformas que atendem a menores de idade.




