Um esquema de desvio de recursos públicos na área da saúde, que movimentou aproximadamente R$ 78 milhões, foi descoberto e está relacionado a farmácias localizadas em Campo Grande, especificamente no Bairro Coophavilla 2, e em Ribas do Rio Pardo. As investigações apontam que essas farmácias, que não pertencem a grandes redes, estão ligadas a farmacêuticos investigados na Operação OncoJuris, que revela uma estratégia de manipulação de decisões judiciais, superfaturamento de contratos e aquisição de medicamentos com preços inflacionados, alguns deles sem registro sanitário.
Na última quinta-feira (23), a força-tarefa coordenada para desmantelar esse esquema realizou uma operação em diversos endereços nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais, resultando na prisão de cinco indivíduos. Entre os detidos está Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos, proprietário da Drogaria Vitória, localizada no Jardim Ouro Verde, na Coophavilla 2. Reginaldo também é dono da Medic Import, estabelecida em julho de 2025, que se apresenta como uma importadora de medicamentos, oferecendo suporte a pacientes em todo o Brasil. No entanto, ao declarar sua renda à Justiça, ele informou um montante de apenas R$ 4 mil.
Reginaldo foi submetido a uma audiência de custódia na sexta-feira (24), onde a decisão foi pela manutenção de sua prisão, que foi decretada por um mandado temporário válido por cinco dias. Os detalhes sobre a participação de cada um dos envolvidos ainda não foram esclarecidos. O advogado de Reginaldo, Anderson Benites, afirmou que a defesa não teve acesso completo aos autos, mas expressou confiança na inocência de seu cliente, afirmando que tudo será esclarecido no devido tempo.
Outro preso na operação é Luiz Henrique Marino, de 50 anos, que é apontado como um dos membros da organização criminosa em investigação. Ele é proprietário da Multiveira Neto e ocupou um cargo de direção na Secretaria de Estado de Saúde (SES), recebendo um salário superior a R$ 10 mil. Em 2022, Luiz Henrique esteve à frente de um projeto de integridade da SES, que tinha como objetivo aprimorar a transparência na gestão dos recursos da saúde. Em junho do ano passado, ele pediu demissão do serviço público e passou a atuar como diretor comercial em uma empresa do setor farmacêutico, com remuneração de R$ 20 mil.
As investigações indicam que o grupo teria lucrado milhões por meio de irregularidades na aquisição de medicamentos de alto custo, especialmente aqueles destinados ao tratamento de câncer. Os cinco indivíduos detidos são investigados por crimes como organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outras irregularidades na saúde. A defesa de Luiz Henrique foi consultada, mas ainda aguarda um retorno, e o espaço permanece aberto para manifestações dos demais envolvidos.




