O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, produzido pelo MapBiomas, revelou que 2025 foi o ano com a menor área desmatada no país em seis anos. O levantamento indica que, pela primeira vez desde 2019, o Brasil registrou menos de 1 milhão de hectares desmatados em um único ano, totalizando 984,7 mil hectares. Essa marca representa uma redução de 20,6% em comparação a 2024, abrangendo todos os biomas brasileiros.
Na análise por biomas, o Pantanal apresentou a maior redução proporcional, com uma queda de 48,4% em relação ao ano anterior, totalizando 12.260 hectares desmatados. Anna Flavia Senna, secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), comemorou os resultados do relatório e ressaltou o compromisso do Governo do Brasil com a meta de desmatamento zero até 2030, um desafio reconhecido como complexo, mas que tem mostrado resultados efetivos.
Jair Schmitt, presidente substituto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também destacou a tendência de redução do desmatamento nos últimos três anos, atribuindo isso a uma série de políticas públicas implementadas pelo MMA e à colaboração de pelo menos 11 ministérios e agências federais. As conclusões do relatório alinham-se com os dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que apontam uma queda consistente na supressão de vegetação nativa.
Em 2025, a Amazônia apresentou uma redução de 50% no desmatamento em comparação a 2022, enquanto o Cerrado teve um declínio de 32% no mesmo período. Esses resultados são frutos da execução dos Planos de Ação para todos os biomas, que incluem estratégias específicas de preservação ambiental até 2027.
Além disso, a intensificação das ações de fiscalização ambiental, realizadas pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), tem sido fundamental. O Ibama está em processo de reunir dados sobre áreas autorizadas para a supressão de vegetação nativa para cultivo agropecuário. Com novas diretrizes para o acesso ao Crédito Rural, o governo busca incentivar a preservação da vegetação nativa.
Nos últimos anos, o governo tem implementado medidas que visam tornar a política de Crédito Rural um instrumento de apoio à agricultura sustentável, incluindo a proibição de financiamentos para atividades que envolvam a supressão de vegetação nativa. A partir de 2027, produtores com mais de quatro módulos fiscais que tenham desmatado precisarão comprovar a legalidade da supressão para obter acesso ao Crédito Rural. Essas iniciativas visam transformar progressivamente o Crédito Rural em um mecanismo que favoreça práticas agrícolas sustentáveis e contribua para a conservação ambiental.




