O início do Plano Safra 2026/2027 foi marcado por uma queda significativa nos desembolsos de crédito rural, que apresentaram resultados inferiores aos do ciclo anterior. No mês de julho, o total liberado no Brasil foi de R$ 14,1 bilhões, enquanto os produtores de São Paulo receberam R$ 1,2 bilhão. Esse valor nacional representa cerca de 50% do montante de R$ 28,3 bilhões que havia sido contratado no mesmo mês da safra anterior. Além disso, o montante atual equivale a apenas 3,4% dos R$ 416,3 bilhões programados para o crédito rural, excluindo os R$ 194 bilhões destinados às Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CPRs).
Os R$ 14,1 bilhões liberados foram distribuídos em 86.573 contratos no primeiro mês do novo ciclo. Contudo, a análise dos dados revela que o desempenho está aquém do esperado, dado que o total programado para o crédito rural é de R$ 416,3 bilhões. A situação Em São Paulo é ainda mais preocupante, onde o estado alcançou apenas R$ 1,2 bilhão em desembolsos, representando 8,5% do total nacional e posicionando-o na quinta colocação entre os maiores tomadores de crédito.
Comparando com o mesmo período do ano anterior, os desembolsos Em São Paulo caíram 51,8%, uma redução que se reflete também no número de contratos, que passou de 3.881 para 1.513. Essa diminuição generalizada sugere um acesso reduzido aos recursos financeiros pelos produtores no início do ciclo.
Os programas de financiamento também sofreram quedas significativas. Os desembolsos do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) caíram 61%, passando de R$ 771,1 milhões para R$ 301,1 milhões. Para os demais produtores da agricultura empresarial, a diminuição foi de 48,8%, com um montante que chegou a R$ 847,7 milhões. No caso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), os recursos contratados reduziram 20,8%, totalizando R$ 49,5 milhões.
A carteira ativa de crédito rural Em São Paulo é de R$ 71,6 bilhões, sendo que R$ 12,9 bilhões estão classificados como operações problemáticas, que incluem contratos inadimplentes, prorrogados ou renegociados. Em junho de 2025, esse estoque era de R$ 8,3 bilhões, o que indica um aumento considerável nas dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores.
Esses dados ressaltam a importância de monitorar a execução do Plano Safra 2026/2027 e as reais condições de acesso ao financiamento. Apesar da inclusão de reduções nas taxas de juros e ampliação nos itens financiáveis, essas alterações ainda não resultaram em um aumento nas contratações até o momento. O ritmo dos desembolsos e a evolução das operações problemáticas permanecerão como pontos críticos para o setor, especialmente considerando a relevância do crédito rural para o custeio, investimentos e continuidade das atividades agropecuárias.




