A inteligência artificial (IA) emergiu como um novo fator de preocupação para os bancos centrais em todo o mundo. Durante um período de decisões sobre taxas de juros, as autoridades monetárias passaram a investigar como os bilhões de dólares investidos no desenvolvimento de tecnologias e infraestrutura relacionadas à IA podem afetar a inflação em nível global.
A analista e editora de Economia da CNN, Lucinda Pinto, avaliou essa questão e ressaltou que, embora a IA seja geralmente vista como um impulsionador da produtividade, sua expansão acarreta custos que ainda precisam ser compreendidos. Em uma análise durante o programa CNN 360º, Lucinda enfatizou que, apesar dos benefícios a longo prazo, há um preço a ser pago até que a tecnologia se consolide em uma escala macroeconômica.
Para a criação de ferramentas e sistemas de inteligência artificial, observa-se uma demanda crescente por insumos específicos. Lucinda indicou que os principais itens sujeitos a pressão incluem chips, cobre, eletricidade, a construção de data centers e mão de obra qualificada. A analista destacou que essa demanda já está sendo percebida por economistas e bancos centrais, refletindo um movimento significativo no mercado.
As grandes empresas de tecnologia, segundo a analista, estão investindo centenas de bilhões de dólares para viabilizar essas novas tecnologias. Em relação ao Brasil, Lucinda apontou um cenário de duplo efeito. O país poderia se beneficiar, pois é fornecedor de minerais, commodities, eletricidade e energia limpa, insumos essenciais para o setor de IA. No entanto, também existem custos relacionados à importação de tecnologia e à necessidade de desenvolver mão de obra qualificada, o que representa um desafio importante tanto no Brasil quanto globalmente.
Lucinda ressaltou que o Federal Reserve (FED), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter sua taxa de juros, embora o mercado já se preparasse para uma possível elevação em setembro. Um dos fatores que influenciam essa expectativa é a inflação gerada pela IA, conforme destacou a analista.
A elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, por sua vez, poderia impactar o Brasil, aumentando a concorrência pelo fluxo global de investimentos. Além disso, Lucinda mencionou que o Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido como o “banco central dos bancos centrais”, tem promovido um debate intenso sobre a dificuldade de classificar se essa inflação é temporária, proveniente de uma transição tecnológica, ou se representa um custo estrutural persistente que não será compensado pelo aumento da produtividade.




